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Descubra os perigos de usar a chantagem e o suborno com os filhos

Descubra os perigos de usar a chantagem e o suborno com os filhos

“Se você não terminar o almoço, não vai ganhar chocolate”; “se não arrumar o quarto, não vai ganhar mais nenhum brinquedo”; “se você não usar esta roupinha, vou ficar triste”; ou, “se você não tirar boas notas, não vai viajar no fim do ano”. Quem nunca usou de artifícios como esses, ainda que com a melhor das intenções, para conseguir que as crianças fizessem algo?

Existe uma linha tênue entre recompensar uma criança por algo que ela tenha feito bem e usar o suborno. O mesmo acontece no caso da chantagem – e é importante considerar que o uso de qualquer dessas estratégias pode reforçar um tipo de comportamento em que o pequeno aprende que deve ganhar algo para fazer o que foi pedido ou é condicionado a seguir ordens apenas sob ameaças. Pois esse delicado assunto é o tema deste artigo.

Relações sem troca

Tanto a chantagem como o suborno são estratégias usadas com bastante frequência pelos adultos – ainda que inconscientemente – na tentativa de ganhar controle sobre situações complicadas ou com a quais não sabem lidar muito bem com o objetivo de conseguir que os pequenos obedeçam a uma ordem sem argumentar. O problema é que, como ambas são formas de manipulação que geralmente trazem resultados imediatos, os pais e responsáveis acabam lançando mão das duas uma e outra vez.

Entretanto, se por um lado o uso da chantagem e do suborno pode facilitar o processo de fazer com que as crianças nos obedeçam, ambos tiram delas todo e qualquer poder de decisão e podem ter consequências bastante sérias para o futuro dos nossos filhos.

Isso porque, quando fazemos uso da chantagem ou do suborno não estamos ensinando às crianças as verdadeiras razões de estarmos pedindo que elas arrumem seus quartos ou a importância de que façam seus deveres de casa, por exemplo. Os pequenos ficam sem aprender os verdadeiros valores que queríamos ensinar em primeiro lugar e não desenvolvem habilidades para solucionar problemas sozinhos. Por conta disso, podem se tornar pessoas superdependentes ou com temperamento muito rebelde no futuro.

Um dia da caça, outro do caçador

Outro ponto negativo do suborno ou da chantagem é que ambos têm caráter imediato e consistem em manipulações que perdem o efeito com o passar do tempo. Ainda, quando não cumprimos o trato ou as ameaças que fizemos, perdemos toda a credibilidade perante os pequenos e, além de correr o risco de criar mágoas profundas – uma vez que as crianças começam a perceber mais cedo do que se pensa que estão sendo manipuladas –, nossos filhos podem recorrer às mesmas artimanhas emocionais contra nós.

Pois é... Não são só os adultos que manipulam as crianças! Pais e responsáveis sabem muito bem que também podem ser vítimas dos pequenos – e caem em suas armadilhas com frequência quando cedem aos seus caprichos para evitar birras e cenas em público.

Algo importante para se ter em mente é que, quando não cedemos às pressões das crianças, elas precisam encontrar outras formas de solucionar seus problemas, e isso é crucial para o seu desenvolvimento. Entretanto, quando fazemos todas as suas vontades para evitar que os pequenos façam escândalo, a mensagem que eles estão aprendendo é que a manipulação funciona para que consigam o que desejam – e nós nos tornamos seus reféns.

Como evitar que isso aconteça? Toda vez que cedemos e fazemos o que nossas crianças querem, estamos recompensando um mau comportamento – e agir assim pode fazer com que esse tipo de conduta se torne padrão. Então, devemos responder à pressão de forma efetiva e sendo firmes, por mais doloroso que seja.

É importante lembrar que crianças entre as idades de 2 e 3 anos costumam fazer cenas em público quando se sentem cansadas, frustradas ou com fome, já que não sabem como lidar com as suas emoções. Nesses casos, o ideal é que os pais ou responsáveis conheçam os limites dos pequenos e entendam quando é hora de dar um tempo ou ir embora.

Agora, se a criança fizer aquela cena, por mais embaraçoso que seja, não demonstre importância e deixe que ela dê o show. Fique por perto até que o espetáculo termine e, se alguém perguntar, explique que o pequeno está fazendo birra e que não há muita coisa que você possa fazer no momento. Tentar parar a criança fisicamente pode tornar as coisas ainda piores; então, quando o berreiro terminar, pegue o pequeno e vá embora. Contudo, é vital que os adultos mantenham suas posições e deixem claro que “não” é “não”!

Como não cair em tentação?

Em vez de usar a chantagem ou o suborno com os menorzinhos, o ideal é que, ao pedirmos que eles façam alguma coisa, os acompanhemos e ajudemos na tarefa. No caso dos maiores, em vez de simplesmente dar ordens, nós, como adultos, devemos servir como exemplos para eles seguirem.

Outra coisa: temos que ser mais pacientes também, pois estamos lidando com seres humaninhos, e não com robôs. Portanto, é normal que as crianças não nos atendam logo de início e que tenhamos que repetir os nossos pedidos. Sem falar que cada criança tem seu tempo para aprender e fazer as coisas ou se distrai com mais facilidade que outras, o que significa que não custa nada sermos um pouco mais compreensivos.

É vital conversar com os pequenos, estabelecer regras e negociar com eles, oferecer-lhes escolhas e ouvir o que eles têm a dizer, bem como explicar os motivos de estarmos pedindo que façam o que quer que seja e os benefícios que a atividade proporcionará. Com isso, damos às crianças mais autonomia e as motivamos a usar a própria inteligência para encontrar a melhor maneira de resolver problemas e a entender o valor de seu esforço.

E você, mamãe? Cai em tentação de vez em quando e suborna ou chantageia os pequenos? Ou é vítima das suas crianças e tem dificuldades para lidar com as suas demandas? Não há nada de errado em lançar mão da manipulação ou ceder em situações específicas, desde que role uma boa conversa depois e que não se trate de uma estratégia para condicionar comportamentos. Educar os filhos é uma tarefa árdua, especialmente porque eles não vêm com manual, não é mesmo? Por isso, nós da Alô Bebê, criamos este espaço para a troca de informações e experiências. Então, comente, participe e compartilhe!

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Redação - Alô Bebê

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