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Parto normal x Cesárea: qual o ideal?

Parto normal x Cesárea: qual o ideal?

Desde o ano passado, o Ministério da Saúde vem trabalhando para reduzir as taxas de partos cesarianos considerados desnecessários. A medida foi importante porque o Brasil vivia uma espécie de epidemia de cesáreas, principalmente nas maternidades particulares, mesmo quando não havia indicação para a cirurgia. No entanto, há situações em que a cesariana é sim indicada e pode representar a diferença entre nascer bem e correr perigo.

Os prós do parto normal, todo mundo conhece: é mais natural e menos invasivo; a recuperação da mãe é mais rápida; o bebê ganha tônus e respira mais facilmente; e a amamentação é estimulada naturalmente pelo processo todo.

Já em relação à cesárea, os pontos positivos dessa modalidade são: garantir a saúde da mãe e do bebê em casos de placenta prévia; hipertensão gestacional, conhecida como eclâmpsia; diabetes da mãe; ou quando a mulher apresenta alguma enfermidade importante, como doenças do coração.

Há riscos, claro, nos dois partos. A ciência mostra que eles são menores quando o parto é via vaginal e um pouco maiores, quando cesáreo. Afinal, o primeiro é biologicamente mais apropriado — testado por milhões de anos na natureza. Ainda assim, pode acontecer de o cordão descer antes do bebê, no chamado prolapso.

Outro risco é a idade gestacional do bebê ser menor do que a calculada e ele passar por um parto difícil, nascer cansado e precisa ficar na incubadora. No caso da cesárea, em geral, a mulher já recebe a indicação quando tem alguma condição que justifique, por isso os riscos são um pressuposto. Mesmo quando não há nenhum mal estar, o risco existe por ser uma cirurgia e tudo que isso significa.

Neste post nós separamos os principais benefícios e riscos de cada parto.

Parto normal - contras:

1. Trabalho de parto mais longo.

A mãe pode ficar esgotada, chegar a desenvolver febre e perder as forças para continuar o processo;

2. Mais dor durante o trabalho de parto.

Como todo o processo tende a ser mais comprido, enquanto a mulher não toma anestesia (que não é obrigatória, pode retardar a expulsão e deve ser dada se a gestante pedir e o obstetra autorizar), ela fica sentindo dor. Como o limite de suportar a dor é muito pessoal, não dá para prever qual será a reação da mulher.

3. Exaustão da mãe.

É importante a mãe estar bem para aguentar todo o processo de parto, que pode levar mais de 12h. É fundamental a equipe ir medindo a resistência da mulher para saber a hora certa de dar anestesia, medir a pressão (que não deve subir), checar se há febre e etc.

Parto normal - prós:

1. Recuperação mais rápida.

Como é o caminho natural e biologicamente mais apropriado e testado, o corpo da mulher se recupera do parto vaginal com muito mais velocidade e com menos complicações. Os órgãos voltam ao normal sem sequelas e o funcionamento do organismo em ritmo pré-gestação é imediato;

2. Menos dor no pós-parto.

Como não há grandes cortes ou intervenções, o desconforto e a dor são quase zero no pós-parto normal. Além disso, como não há anestesia profunda, a mulher pode se levantar, caminhar, tomar banho e voltar às atividades normais logo depois que o bebê nasce (desde que ela esteja disposta, claro);

3. Menor risco de complicações.

Os estudos todos mostram que há mais complicações pós-parto quando o procedimento é cirúrgico, ao invés do vaginal. Há que se levar em conta que as cesarianas são indicadas quando já há alguma situação delicada antes do parto, por isso a chance de complicações aumenta. De qualquer forma, o parto normal é menos invasivo, o organismo da mulher é menos exigido, podendo focar na recuperação completa.

4. Menor risco de o neném nascer prematuro.

A natureza costuma ser muito sábia e respeitar a maturidade do bebê para disparar o processo do nascimento. Não antecipa e nem atrasa o momento. Quando a gestante e o obstetra observam esses sinais, a chance de o bebê nascer antes da hora cai bastante.

Cesárea - contras:

1. Recuperação mais lenta.

Trata-se de uma cirurgia importante e invasiva. Tem anestesia, sedação, corte em sete camadas e depois a sutura a todos eles. Assim, o corpo precisa dar conta da recuperação do parto e de uma cirurgia relativamente grande. A mulher precisa ficar em repouso, o corte requer cuidados, carregar peso não é recomendado. São mais cuidados e mais atenção que no pós-parto vaginal;

2. Maior risco de complicações.

A cesárea é realmente indicada quando a mãe ou a criança têm alguma situação delicada prévia, como diabetes, pré-eclâmpsia ou problemas de coração. Essas condições, a priori, favorecem complicações no pós-parto. A cicatrização é mais lenta, a circulação sanguínea pode ficar menos eficiente e etc. É preciso acompanhar de perto a mulher e a criança;

3. Mais dificuldade para iniciar a amamentação.

Os hormônios secretados durante o parto normal e a força que o corpo da mulher faz para expulsar o bebê preparam e favorecem a amamentação. O leite das mulheres que fazem cesariana costuma demorar um pouco mais para descer, os seios ficam mais doloridos e o processo todo pode ser mais lento;

4. É uma cirurgia.

E tem todos os riscos que uma operação tem. Anestesia, sedação, cortes profundos, sutura, perda de sangue e todo o pacote. Se a mãe está em boas condições, os riscos caem. Se estiver frágil por qualquer razão, eles aumentam.

Cesárea - prós:

1. Trabalho de parto mais curto.

Evita a exaustão da mulher, porque, entre a internação e o nascimento, passam-se poucas horas. Para as mulheres que receiam essa etapa, a cesárea resolve bem;

2. Com anestesia e menos dor durante o trabalho.

Essa também é uma vantagem para as mulheres que receiam sentir dor, ou entrar num trabalho de parto lento. A cesariana precisa de anestesia obrigatoriamente e, com isso, as dores durante o parto não existem. Os movimentos das pernas ficam prejudicados durante e depois do nascimento, mas voltam assim que o efeito do anestésico passa, uma ou duas horas após o parto;

3. Risco reduzido de complicações respiratórias.

Bebês que nascem por cesárea não precisam se esforçar muito. Por isso, seu sistema respiratório quase não é exigido durante o nascimento. Justamente por isso, os riscos de intercorrências respiratórias cai bastante. Assim que entende que nasceu o bebê passa a respirar pelas vias aéreas, que devem estar desobstruídas pela falta de esforço, e não costuma haver problemas;

4. Reduz risco de sangramentos.

Uma cirurgia controlada e monitorada pode ser mais segura para mulheres com saúde mais frágil, ou com condições especiais. As hemorragias, por exemplo, são prevenidas ou resolvidas, mais facilmente em partos cesáreos. O mesmo vale para o controle da pressão e da diabetes. A cicatrização, quando acompanhada bem de perto, impede perda de sangue desnecessária e mantém a mulher mais forte para o pós-parto.

Apesar disso, em ambos os casos, quando não há nenhuma restrição na condição da mulher ou da criança, é importante ouvir a vontade da gestante. Há desde as que sonham com um parto normal, sem intervenções ou analgesia, feito em casa, até as que não imaginam outra maneira de parir que não seja no hospital, por via abdominal, com bastante anestesia.

São desejos legítimos e, sempre que possível, devem ser respeitados. Se você estava na dúvida sobre o processo ideal para o nascimento do seu bebê, esperamos que este guia tenha ajudado a direcionar sua escolha. Fazemos sempre o possível para te ajudar nessa jornada linda que é a maternidade.

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Redação - Alô Bebê

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