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Descubra os possíveis efeitos da anestesia no pós-parto

Descubra os possíveis efeitos da anestesia no pós-parto

 

Apesar de muitas gestantes sentirem apreensão com relação à anestesia, esse procedimento é considerado bastante seguro hoje em dia. Parte do medo se dá por conta dos perigos que as envolviam no passado, mas, nas últimas décadas, as técnicas de aplicação, os equipamentos utilizados e os medicamentos empregados passaram por importantes avanços e evoluíram muito, fazendo com que os efeitos adversos e os possíveis riscos de complicações caíssem significativamente.

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No entanto, assim como em qualquer procedimento médico — do mais simples ao mais complexo —, imprevistos podem acontecer, e os pacientes não estão completamente isentos de sofrer algumas reações indesejadas quando o efeito da anestesia começa a passar. A seguir você saberá quais são os impactos mais comuns entre as gestantes e o motivo de essas respostas ocorrerem.

Como a anestesia funciona?

O tipo de anestesia mais comum para aliviar as dores do parto é o peridural, que normalmente é a opção de escolha para os partos vaginais, uma vez que bloqueia apenas a dor, permitindo que a mulher continue capaz de se movimentar, mantenha a sensação de toque, perceba as contrações e possa participar integralmente do parto.

A raquidiana é a opção mais frequente em casos de cesariana, já que bloqueia por completo a sensação de dor na região em que é realizada a incisão para a retirada do bebê, além de interromper as contrações e relaxar a musculatura abdominal. Esse tipo de anestesia geralmente causa a paralisa temporária dos membros inferiores, mas a mulher permanece alerta durante a operação. 

Já a anestesia geral só é indicada em casos específicos, quando as outras opções não são recomendadas ou quando a paciente é diagnosticada com condições de saúde que impedem o uso de outros métodos. Nessas situações, o estímulo de dor é bloqueado e a paciente permanece inconsciente ao longo de todo o procedimento médico.

A aplicação da anestesia geralmente ocorre depois que o colo do útero apresenta de 4 a 5 centímetros de dilatação, ou seja, após a mulher entrar no estágio ativo do trabalho de parto, e o procedimento começa com a aplicação de antissépticos nas costas, na altura da cintura, com o objetivo de reduzir o risco de infecções. Em seguida, o anestesista usa um anestésico local para diminuir a sensação de dor na aplicação e insere um pequeno cateter no espaço entre as vértebras.

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Esse cateter contém uma agulha extremamente fina em seu interior, a qual, uma vez que o dispositivo é introduzido na coluna, no espaço epidural que envolve a dura (membrana que recobre e protege a medula), é removida e o medicamento usado para bloquear a dor é administrado. O efeito dos fármacos tipicamente dura de 4 a 8 horas, mas existe a possibilidade de que uma bomba de infusão seja empregada para que mais anestésicos sejam aplicados, caso haja necessidade durante o procedimento.

Possíveis reações

Os benefícios oferecidos pela anestesia são muitos, uma vez que, no caso dos partos vaginais, ela permite que as mães, além de não terem dor, sintam-se mais confortáveis, cansem menos, possam participar de forma ativa no nascimento do bebê e tenham uma experiência menos traumática. Nos casos em que a cesárea é indicada, a gestante continua consciente durante a cirurgia e, mesmo que tenha que ser submetida à anestesia geral, após o fim do procedimento os medicamentos oferecem alívio para a dor. Mas podem ocorrer algumas reações depois que o efeito da anestesia passa.

Entre os reações mais comuns está a hipotensão, uma vez que é normal que a pressão sanguínea caia um pouco por causa da anestesia. Como consequência, a mulher pode sentir tontura e mal-estar ao se levantar depois de ter o bebê, razão pela qual é recomendado que ela volte a se movimentar gradual e lentamente após o parto.

A sensação de tontura costuma ser mais frequente em mulheres com mais de 35 anos de idade e histórico prévio de labirintite, e é mais comum que elas apresentem esse efeito depois de passarem pela cesariana. De qualquer maneira, tanto durante como depois do parto a paciente e o bebê devem ser monitorados, e, quando necessário, medicamentos ou fluídos podem ser administrados para manter a pressão estável.

Outra reação possível é a perda do controle da bexiga, já que, dependendo do tipo de anestesia, além de cortar a sensação da cintura para baixo, os nervos responsáveis pelo funcionamento desse órgão podem ser afetados; com isso, a paciente não consegue definir quando a bexiga está cheia. Esse quadro é temporário e desaparece assim que os efeitos da anestesia passam; normalmente, um cateter é introduzido para que a urina seja drenada.

Também pode ocorrer de a paciente sentir bastante coceira, especialmente na testa e no rosto, mas não limitada a essas regiões do corpo, e o prurido consiste em uma reação alérgica aos componentes da anestesia, geralmente à morfina ou a outros opioides usados para aliviar a dor. Em casos muito severos, quando a coceira se torna insuportável e incontrolável, os médicos podem prescrever medicamentos para controlar o quadro.

A náusea e o vômito são reações mais comuns em pessoas submetidas à anestesia geral como resposta aos componentes usados no procedimento e podem ser tratados com o uso de medicamentos. Outro efeito pós-anestésico são tremores pelo corpo, que ocorrem porque a medicação usada na anestesia também age na região do cérebro responsável por regular a temperatura corporal, fazendo com que ela caia e os espasmos se deem de forma a elevá-la novamente.

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Um dos efeitos mais famosos da anestesia é a cefaleia pós-anestesia, que acontece quando, na hora de inserir o cateter na coluna, a dura é acidentalmente perfurada e um pouco do fluido que envolve a medula (liquor) acaba vazando. Esse tipo de situação pode ocorrer quando o anestesista utiliza agulhas mais grossas. E, ao contrário das indicações populares de que as mulheres não devem elevar a cabeça durante o efeito da anestesia, é melhor que a paciente se movimente, afinal, se o quadro de dor for desencadeado, ela poderá receber o atendimento adequado no próprio hospital e ter alta da maternidade já estando medicada.

O tratamento indicado para a cefaleia consiste no uso de fármacos para dor; e, dependendo do caso, existe um procedimento em que a perfuração é selada com sangue coletado da própria paciente e que é injetado sobre o furo pelo qual o liquor escapa, vedando-o ao coagular. Mas vale lembrar que, apesar de se falar muito da cefaleia, menos de 1% das mulheres apresenta esse tipo de reação.

Complicações raras

Embora seja bastante incomum, pode acontecer de uma pequena infecção se desenvolver ao redor do local onde o cateter foi introduzido — e é bastante raro que a infecção se espalhe para outras partes do corpo. Nesses casos, o tratamento pode envolver o uso de antibióticos e, muito excepcionalmente, a realização de uma cirurgia. Outro efeito bastante atípico são danos temporários que resultem na perda de sensação ou de movimento em algumas partes do corpo, geralmente da cintura para baixo.

O quadro normalmente é revertido de modo natural em alguns dias ou meses, mas pode acontecer de a paciente sofrer danos permanentes. Apesar de as chances de que isso ocorra serem muito pequenas, os acidentes podem se dar em decorrência de infecções, sangramentos que ocasionem pressão na medula, uso de medicamentos inadequados e danos causados pelo cateter ou pela agulha usados no procedimento. Por último, existem situações em que a paciente apresenta dificuldades respiratórias severas, sofre convulsões e vem a óbito, mas esses eventos estão se tornando cada vez mais improváveis.

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Seja como for, para evitar ou prevenir efeitos pós-anestésicos, é de vital importância que a anestesia seja aplicada por um profissional habilitado e que a paciente siga todas as recomendações apresentadas durante o atendimento pré-anestésico. Quer conferir mais dicas e artigos sobre saúde e maternidade? Então não deixe de navegar pela nossa comunidade!

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Redação - Alô Bebê

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