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Quanto custa criar um filho?

Quanto custa criar um filho?

Dar todo o suporte para o seu filho até a vida adulta pode custar muito dinheiro. Muitos casais, quando pensam em aumentar a família, logo começam a fazer contas. Fraldas, decoração do quarto, roupinhas, escola, ballet, futebol, entre outras despesas. Da gestação à faculdade, os investimentos são diversos. Mas afinal, quanto custa criar um filho?

Segundo pesquisa do Instituto Nacional de Vendas e Trade Marketing (Invent), os gastos para criar um filho até os 23 anos podem chegar a mais de R$ 2,5 milhões. Mas não se assuste, esse não é o padrão! É apenas o valor que pode ser alcançado pelas famílias de classe alta. Cada projeção é baseada em um contexto familiar, seus objetivos e possibilidades.

Atualizando os valores de acordo com a inflação do período, a Classe A gasta até R$ 2,6 milhões com um filho até o fim da faculdade, a Classe B chega a despender R$ 1,2 milhões e a Classe C, R$537 mil.

Em uma divisão simples, os números ficam em R$ 9.420 ao mês para Classe A, R$ 4.347 para Classe B e R$ 1.945 na Classe C. Claro, esta é uma estimativa e deve variar muito de acordo com cada família e diferentes fases da vida da criança.

Sem ir aos extremos, vamos um exemplo baseado no levantamento do professor Luiz Carlos Ewald. Ele ministra aulas de finanças nos cursos MBAs da Fundação Getúlio Vargas (FGV), e chegou à conclusão que o custo de um único filho para uma família de classe média, com renda mensal específica de 4,5 mil reais é de R$ 418 mil reais, no total. Levando em consideração as necessidades de cada período, o economista ainda dividiu os valores dessa forma:

  • 0 a 3 anos - R$ 26 mil (média de R$ 6,5 mil por ano)

  • 4 a 6 anos - R$ 45 mil (média de R$ 15 mil por ano)

  • 7 a 10 anos - R$ 70 mil (média de R$ 17,5 mil por ano)

  • 11 a 14 anos - R$ 86 mil (média de R$ 21,5 mil por ano)

  • 15 a 17 anos - R$ 66 mil (média de R$ 22 mil por ano)

  • 18 a 23 anos - R$ 125 mil (média de R$ 25 mil por ano)

Em um primeiro momento essas informações podem até assustar, pois a diferença é realmente muito grande: como uma criação pode custar R$ 418 mil e outra R$ 2,6 milhões? A resposta é até bem simples, os “investimentos” são sempre baseados na renda dos pais: em tese, a classe social da família dita os valores. Os gastos são proporcionais aos ganhos. Todos querem prover a melhor educação, comodidade, bem-estar e saúde do mundo para seus filhos, mas apenas alguns podem proporcionar tudo isso. Se tudo isso está ao seu alcance, por que não?

Agora, focando “apenas” nas necessidades da criança e as especificidades de cada fase, montamos um Manual de Gastos do seu futuro filho, para facilitar toda a organização das compras e ajudar no planejamento financeiro, acompanhe:

Gestação

 

Primeiro passo: investir em um bom plano de saúde! É uma estratégia crucial para garantir um pré-natal mais seguro e tranquilo. A mamãe passará meses indo em consultas e realizando exames, que sem cobertura, podem custar até R$ 2.000.

A gestante passa por diversos exames de sangue, urina, ultrassonografia, triagem de diabetes gestacional e, a depender do grau de risco, alguns exames adicionais, como teste de Coombs e Amniocentese.

Se tudo isso for feito por meio de consultas particulares, os custos serão muito altos. Um único horário com o obstetra é, no mínimo, R$ 200,00! Considerando os preços atuais de exames e medicamentos, o custo do pré-natal ultrapassa facilmente a fronteira dos R$ 3 mil. O ideal, portanto, é contratar um plano de saúde com ao menos 6 meses de antecedência, tempo necessário para evitar problemas com carência.

É importante também que o plano escolhido cubra a internação da gestante e o berçário. Mas ainda assim é preciso preparar o bolso para as despesas extras, como por exemplo, os testes de tipagem sanguínea e o teste do pezinho (que custa R$ 150,00, em média).

Parto

Infelizmente, mesmo quem tem plano de saúde e respeita o tempo de carência, costuma ter problemas para fazer com que as despesas do parto sejam integralmente cobertas pelo plano. Dessa forma, para evitar estresse, é importante lembrar que os custos do parto (particular) ficam entre R$ 10 mil e R$ 32 mil. É recomendável, portanto, separar um valor dentro desse patamar para tais despesas.

Enxoval e decoração

Durante a gestação, os pais ganham presentes que acabam ajudando nessa fase de tantos gastos. Fraldas, banheiras, roupinhas, bebê conforto e carrinho são alguns dos presentes mais comuns e a economia pode passar de R$ 3.000! O chá de bebê é uma ótima maneira de complementar as futuras necessidades do seu pequeno, comemorar com a família e amigos e ainda guardar um bom dinheiro!

Quanto à decoração de um quarto de bebê, ela costuma custar entre R$ 2.000 e R$ 10.000, desde os móveis, passando pelos itens como mosquiteiros e chegando aos artigos decorativos como pelúcias, nichos, tapetes e móbiles. As reformas e adaptações no quartinho também fazem a conta subir, mas se o papai usar as habilidades de pintor e a mamãe atuar como decoradora, a economia acaba sendo grande, já que os gastos com mão de obra especializada podem passar de R$ 3.000. Nada que um bom tutorial na internet não ajude, certo?

Diferentemente dos gastos com decoração, as despesas com vestuário são “eternas” e incluem a compra de roupas, calçados e acessórios (bonés, tiaras, brincos...).

É claro que quando vemos algo lindo na vitrine de uma loja infantil, logo imaginamos como ficaria uma graça em nosso filho! Por que queremos vê-lo vestido da melhor maneira, o tempo todo. Mas é preciso ter muito equilíbrio e sempre ponderar se essa aquisição é mesmo válida. Muitas vezes o bebê nem nasceu ainda e tem o guarda-roupa mais abarrotado que a mamãe e o papai juntos! É preciso ter calma para fazer excelentes compras de forma econômica.

O que não pode faltar nas suas compras:

  • Berço: entre R$ 200 e R$ 800

  • Kit para berço, inclui cabeceiras, laterais, edredom e jogo de lençol: entre R$ 100 e R$ 300

  • Cômoda: entre R$ 300 e R$ 400

  • Roupeiro: em média R$ 700

  • Colchão para berço: entre R$ 69 e R$ 300

  • Poltrona para amamentação: em média R$ 350

  • Trocador com banheira: a partir de R$ 150

  • Bebê-conforto: entre R$ 69 e R$ 300

  • Carrinho: entre R$ 270 e R$ 2 mil

  • Mala maternidade: a partir de R$ 69,90

  • Babá eletrônica: a partir de R$ 129,90

Está com receio de fazer mais compras do que deve? Confira as nossas dicas:

  • Peça ajuda! Fale com amigos, irmãos e primos que já são pais. Todos que já tenham passado por isso e possam indicar o que realmente será necessário e o que pode ser apenas um capricho. Caso já esteja grávida, fale com o médico que está acompanhando a sua gestação – com certeza ele terá bons conselhos. O mais importante é não guardar essas dúvidas e receios para si.

  • Mesmo que você seja uma mamãe de primeira viagem, é possível fazer uma lista com a quantidade de roupas e acessórios que você imagina que o bebê usará nos primeiros meses de vida. Caso tenha dúvidas, peça para alguma pessoa de confiança (que já tenha tido filhos) olhar e te orientar. Desta forma, olhando números, você pode evitar exageros nas compras.

  • Logo que souber que está grávida, basta fazer algumas contas para descobrir a provável data do nascimento. Dessa forma você também saberá em que época o bebê vai nascer, e assim poderá comprar as roupinhas de acordo com a estação correta! Não tem sentido comprar roupas de outono P para o seu filho se ele nascer no inverno, pois ele já estará bem maior quando voltarmos para essa fase do ano – é esse tipo de planejamento econômico e fácil que podemos fazer.

  • Nem todas as roupinhas do seu filho precisam ser incrivelmente estilosas. Deixe essas para a hora de sair, no final de semana. O visual do dia-a-dia pode ser mais simples, ou até mesmo reaproveitadas de um irmão mais velho, sobrinho ou conhecido.

  • Os móveis do quarto do bebê devem ser pensados a longo prazo. Para facilitar a combinação com outras peças e pelúcias de acordo com o crescimento da criança, aposte em tons neutros! Deixe cores para os enfeites, assim os móveis serão aproveitados por mais tempo.

  • Seja sábio (a) ao escolher no que economizar. Itens como carrinho ou bebê-conforto são para a segurança do seu filho. Redobre a atenção se o desconto estiver muito grande!

  • Estabeleça um valor fixo para os gastos e leve sempre em dinheiro. Estabeleça uma data ou período que você vai fazer esse tipo de compras, não haja por impulso!

  • Fique atento (a) às promoções de fraldas e comece o estoque antes de o bebê nascer. Opte por comprar principalmente os tamanhos M e G, que normalmente são mais usados. Não vá na mais barata apenas pelo preço – certifique-se da qualidade, senão acabará jogando dezenas de fraldas fora!

Saúde

Logo nos primeiros meses de vida de um filho, a conta da farmácia será uma das mais pesadas no orçamento da casa. Podemos resumi-la em itens para a higiene do bebê e medicamentos! Se os papais forem bons de pesquisa, podem encontrar preços bem baixos e gastar em média R$ 50 por toda a “cesta básica do recém-nascido”, composta por creme para assaduras (cerca de R$ 11), cotonete (R$ 1,99), algodão (R$ 1,99), álcool 70% 50 ml (R$ 1,25), lenço umedecido com 60 unidades (R$ 3,65), sabonete líquido neutro 200 ml (R$ 6,50) e shampoo neutro 250 ml (R$ 7). Sem uma boa procura, os vários pacotes de fralda, produtos para o bebê e eventuais remédios a família podem totalizar gastos de até R$ 300 por mês.

Especialmente falando sobre as fraldas, vale lembrar que são utilizadas, em média, 6 fraldas por dia, dos 6 meses a 1 ano e 8 a 10 fraldas por dia, de 1 a 2 anos de idade. Partindo do conhecimento que uma caixa de fraldas com 60 unidades fica em torno de R$ 80,00, fazendo as contas, chegaremos a cerca de 4.680 fraldas até os 2 anos, o que corresponde a uma média de R$ 6.240,00. Ou seja, vale a pena fazer um BELO chá de fralda! Além de comparar preços, ficar atento a ofertas, pegar cupom de desconto e participar de promoção.

Os gastos com saúde até diminuem com o crescimento da criança, mas jamais desaparecem. Eles mudam o seu ”formato”, ao invés da tradicional sacolinha da farmácia viram o pagamento mensal do dentista ou pediatra, por exemplo. Além disso, o investimento na saúde está inserido em todas as atividades de promoção do bem-estar que começam a fazer parte da vida seu do filho, como aulas de natação, balé e futebol!

Importante: nem todas as vacinas são dadas nos postos de saúde e algumas chegam a custar R$ 220,00. De qualquer maneira, fique de olho nas campanhas de vacinação do Governo!

Alimentação

No primeiro ano: Do ponto de vista da imunidade do bebê, o ideal é dar o leite materno nos primeiros 12 meses de vida. Porém, por mais que o desejo de amamentação seja grande por parte das mães, nem sempre isto é possível. Quando não dá certo uma opção é a utilização do leite em pó, mais conhecidos como “fórmulas”.

O valor gasto na compra das latinhas de leite em pó é considerável e devem ser previstos no orçamento. Há também outros gastos com frutas, legumes, papinhas, etc. Os antigos já diziam que onde comem dois comem três, porém os gastos adicionais devem ser levados em consideração.

No quadro geral: Do leite de cada dia ao fast food na adolescência, a alimentação de um filho pode variar entre R$ 42.000 e R$ 126.000 (de 0 a 22 anos). O valor gasto com comida depende da renda familiar e dos hábitos alimentares do filho. Caso ele tenha alguma intolerância, certamente os gastos mensais com alimentação sobem.

Lazer e entretenimento

Brinquedos, fantasias, bolas, jogos, academia, clube, cinema, shows, intercâmbios, games, viagens, festas de aniversário e passeios até que o seu “bebê” complete 23 anos! Isso tudo está incluso nessa continha, ou você achou que o seu filho isso viver só de necessidades básicas? Apenas para a área de toys e tecnologia, está previsto um gasto de R$ 36.600 a R$160.723!

Gastos Acadêmicos

Para que a educação dos filhos não se transforme em um problema financeiro, especialistas acreditam que “gastos acadêmicos” devem ocupar, no máximo, 15% da renda da família. Os valores variam conforme os anos e por incrível que pareça, vão ficando mais caros! Confira a nossa lista:

4 a 6 anos

Creche e escola entram na conta. E consequentemente, material escolar e uniformes. E acredite, se você tiver meninas, estima-se essa fase já comece com um custo 25% maior, por conta de itens tidos como “vaidades femininas”.

7 a 17 anos

É no ensino fundamental e médio que você começa a entender quanto custa criar um filho. Até os 15 anos, entram no orçamento cursos de idiomas, esportes e a famosa mesada. Perto dos 18, seu filho pode precisar ou querer se inscrever em um cursinho pré-vestibular.

18 a 21 anos

A grande despesa aqui é a mensalidade da universidade, caso seu filho não estude em uma instituição pública. O valor aqui varia muito, de R$ 450,00 a R$ 5.000,00/mês. Se utilizarmos o exemplo extremo, chegaríamos a R$ 240 mil para um curso de 4 anos.

Dicas práticas para economizar na educação dos filhos, independentemente da fase:

Mensalidade: Como você se planejou e já possui um montante disponível para a educação dos filhos, vale a pena procurar a administração da escola e sondar um desconto para o pagamento à vista da anuidade! Esteja presente em reuniões e deixe uma boa impressão. Pode ser que você tenha mais um filho e precise de ajuste favorável no valor das mensalidades. Seja político (a)!

Alimentação: A cantina da escola pode ser uma diversão para o pequeno! Mas para o bolso, não é tão bacana assim. É o que chamamos de gasto “invisível”, isto é: de pouquinho em pouquinho acaba levando uma fatia considerável do orçamento familiar. Por isso, sempre que possível, mande alguma coisa de casa. Na verdade, o melhor seria combinar com a criança de um dia na semana comprar algo com os amigos para comer na escola, e levar lancheira no restante dos dias. Além de mais barato, a prática é bem mais saudável!

Material escolar: A lista anual é cada vez mais longa e cara! Para minimizar esse sofrimento a dica principal é pesquisar os preços. Muitas escolas tem convênios com livrarias próximas, com aquele estacionamento pertinho e até uma cafeteria. Tudo parece tão cômodo, não é mesmo? Mas, os preços não são! Vale a pena gastar um tempinho na internet e dirigir 5 minutinhos mais longo para garantir os mesmos livros, por valores mais acessíveis. Além disso, se a escola disponibilizar a lista antes, compre o material fora de época. Já que é bastante comum que os preços subam durante os meses de janeiro e fevereiro.

Uma boa dica para economizar nos livros didáticos é comprar de segunda mão. Você pode fazer isso em sebos ou então tentar sondar outros pais de crianças mais velhas nas redes sociais ou nos grupos de WhatsApp relacionados à escola.

Transporte escolar: Esse tópico é muito importante! Quando o colégio for escolhido, a sua distância não pode ser um problema. Por que se isso afetar a rotina da família, até mesmo os custos com um automóvel terão de ser revistos. Por exemplo, se o deslocamento da criança para ir à aula for de 7 a 8 quilômetros, e o custo de um táxi for de até R$ 35 diários, não vale mais a pena manter um automóvel na garagem só para levar o filho à escola.

Mas calma! Existem diversas maneiras de economizar no transporte escolar, como a chamada “carona solidária”, em que um grupo de pais faz rodízio para levar e buscar as crianças na escola. Essa é uma ótima alternativa que pode ajudar a diminuir os gastos com educação e é interessante para os pais que não têm tempo de levar os filhos na escola todos os dias, mas também não tem dinheiro sobrando para a pagar por esse serviço.

Economia familiar

O ideal é que a chegada de um bebê seja programada, a fim de que essa fase seja mais tranquila e prazerosa para os pais. Aqui estão algumas orientações de especialistas para te ajudar a fazer o seu planejamento financeiro:

  • Liquide suas dívidas e coloque as contas em dia antes do bebê nascer;

  • Não despreze o potencial de economia que um chá de bebê/fraldas pode trazer ao seu orçamento doméstico;

  • Nem pense em comprometer todo seu salário com roupinhas e acessórios durante a gravidez. O percentual voltado a essa despesa deve ser de 30%;

  • Não deixe a cargo da caderneta de poupança a função de multiplicar seu patrimônio. Um plano de previdência privada, por exemplo, rende bem acima dela;

  • Plano de saúde à criança/adolescente é fundamental. A economia nessa área no dia de hoje pode acabar se transformando em prejuízo no futuro.

  • Insira seu filho no planejamento familiar desde a infância. Esse hábito ajuda a conscientizar a criança sobre os aspectos financeiros do sustento da casa e certamente tornará os diálogos sobre finanças muito mais simples na adolescência.

Ufa! Bem completo o nosso Manual de Gastos, não?! Diante de tantos dados, uma conclusão é certa: as alegrias que se tem com um filho são incalculáveis, mas os gastos e responsabilidades de trazer alguém ao mundo devem ser bem pensados!

Gostou desse conteúdo? Pensou em aspirantes a mamães e papais que vão se beneficiar com essas informações? Então compartilhe esse mega-artigo! Assim, mais famílias poderão se planejar para ter um bebê com segurança, tanto financeira quanto emocional – por que todo mundo dorme melhor sabendo que as contas estão no azul!

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Redação - Alô Bebê

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