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Amamentação cruzada: o que é e por que essa prática é contraindicada?

Amamentação cruzada: o que é e por que essa prática é contraindicada?

A amamentação cruzada, caso você não esteja muito familiarizada com o termo, consiste na prática em que uma mulher amamenta o filho de outra, seja porque a mãe não consegue produzir leite suficiente, por sofrer de algum problema de saúde, por ter dificuldades com a pega ou por conta de qualquer outra situação que a impeça de dar de mamar ao seu bebê.

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Considerando o vital papel que o aleitamento materno tem para a saúde e o desenvolvimento das crianças, é maravilhoso que existam mulheres dispostas a amamentar os filhos de mães que não podem fazê-lo. No entanto, além de a prática causar muitas dúvidas, ela é alvo de polêmica – e é fortemente contraindicada por médicos e organismos nacionais e internacionais de saúde. Assim, nós da Alô Bebê preparamos este artigo para revelar informações e esclarecer questões sobre a amamentação cruzada.

Breve panorama

Todos sabem que a amamentação cruzada é uma atividade incrivelmente antiga, da qual existem registros que remontam a milênios atrás, na verdade. Ela se manteve bastante difundida até bem recentemente – quem não se recorda de ler ou ouvir falar sobre as “amas de leite”? – e, na atualidade, esse tipo de amamentação ainda é uma prática tradicional entre mulheres de várias culturas, como algumas situadas na África Equatorial e em ilhas do Pacífico e do Índico, por exemplo.

Nas sociedades ocidentais, a amamentação cruzada acabou perdendo um pouco de sua popularidade, principalmente depois de avanços nas áreas da nutrição e saúde aumentarem a oferta de opções para a complementação da alimentação infantil e promoverem uma mudança de comportamento no sentido de não só incentivar cada vez mais o aleitamento materno, mas também de oferecer mais apoio às mães que amamentam.

Além disso, há várias décadas, estudos revelaram que a amamentação cruzada pode oferecer graves riscos, tanto para a saúde do bebê que recebe o leite quanto para a da mulher que o doa. Isso, entretanto, não significa que a prática não continue acontecendo. Apesar de não existirem muitos levantamentos que mostrem números precisos sobre esse tipo de aleitamento, sabe-se que, aqui no Brasil, a atividade ainda é popular, especialmente em comunidades de baixa renda.

Por que não pode?

Não restam dúvidas de que a amamentação cruzada é um ato de carinho, solidariedade, generosidade e amor. Também é inquestionável o fato de que o leite materno, como já foi comprovado uma e outra vez, é nutritivo e consiste em um alimento essencial para os bebês, já que contém hormônios, açúcares, anticorpos e bactérias benéficas que ajudam a proteger o organismo dos pequenos, cujos sistemas imunológicos ainda se encontram em desenvolvimento nos primeiros meses de vida.

Aliás, teoricamente, receber leite de mulheres diferentes poderia permitir que as crianças fossem expostas a uma maior diversidade de anticorpos e microbiotas, o que seria bastante benéfico para o seu desenvolvimento. Entretanto, a prática também é considerada como um comportamento de risco, já que, com o progresso da medicina, descobriu-se que a amamentação cruzada pode ser bastante prejudicial para os bebês, já que propicia a transmissão de doenças infectocontagiosas, algumas delas ainda sem cura e potencialmente letais.

Riscos envolvidos

O problema é que, embora o leite materno seja um alimento supercompleto, ele também pode conter uma variedade de agentes patógenos e toxinas que podem ser transmitidos aos bebês. Inclusive o consumo de café e bebidas contendo cafeína e adoçantes artificiais podem ter influência sobre os pequenos, e componentes presentes em alimentos, bebidas e no ambiente igualmente oferecem risco de contaminação às crianças.

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Sem falar que, se a mulher aleitando a criança estiver tomando medicamentos de uso contínuo, for tabagista ou usuária de álcool e drogas, essas substâncias também podem parar no organismo dos bebês por meio do leite consumido.

Com relação às doenças, hoje se sabe que a amamentação cruzada pode ser uma via de transmissão de uma variedade delas aos bebês, incluindo aquelas contra as quais eles podem não ter sido imunizados ainda, como sarampo, rubéola e caxumba. E mais: patógenos como as bactérias causadoras da tuberculose e da sífilis, vírus como o citomegalovírus, os responsáveis por provocar as hepatites B e C, e as herpes simples e zoster, o HTLV (vírus linfotrópico humano de célula T) e até do HIV, podem ser transmitidos aos bebês.

Mais complexidades

A amamentação cruzada é contraindicada inclusive quando a mãe doadora do leite estiver bem de saúde e acreditar não ter nenhuma doença infectocontagiosa. Isso porque, muitas vezes, as patologias levam algum tempo para se manifestarem e, em caso de que a mulher amamente durante essa “janela” em que não apresenta sintoma nenhum, ela pode contagiar o bebê.

Além disso, outra questão envolvida na amamentação cruzada é que os pequeninos têm necessidades diferentes, e o leite fornecido por uma mulher que não seja a sua própria mãe pode não suprir as carências específicas da criança. O leite materno contém uma imensa quantidade de moléculas bioativas e componentes orgânicos que variam e se ajustam de acordo com cada etapa de desenvolvimento do bebê e para prover exatamente o que o organismo da criança precisa.

Se a mulher amamentando o filho de outra tiver um bebê de idade diferente, os componentes de seu leite podem não ser os adequados para o pequeno. Pode, ainda, que a criança sofra de alguma intolerância ou tenha uma alergia específica, e a mulher oferecendo a amamentação cruzada, embora tenha a intenção de ajudar, piore o quadro de saúde do bebê.Ademais, o aleitamento é um momento de conexão, contato e união único, e a participação de outra pessoa pode interferir no relacionamento e nos laços criados entre mãe e filho. Sendo assim, a amamentação cruzada também pode ter efeito psicológico negativo sobre o bebê, uma vez que mamar no peito de outra mulher pode confundir e frustrar o pequeno.

Como agir?

O fato de a amamentação cruzada ser uma prática que envolve um grande número de riscos não significa que os bebês não possam receber leite doado por outra mulher. Eles podem, sim – e devem! Contudo, em vez de buscar a ajuda de outras mães que estejam amamentando e tenham leite suficiente para alimentar mais de uma criança, as mulheres em dificuldades devem procurar orientação médica e se dirigir a um Banco de Leite Humano.

Isso porque todo o leite recebido por essas organizações vem de doadoras que passaram por baterias de exames para garantir que se encontram em boa saúde e que podem suprir as necessidades dos próprios filhos antes de fornecer alimento a outras crianças. Além disso, o leite, uma vez doado, é submetido a rigorosos exames bacteriológicos e uma diversidade de processos, entre eles a pasteurização, além de ser devidamente armazenado antes da distribuição aos bebês – tudo no intuito de tornar o seu consumo completamente seguro.

Por sorte, aqui no Brasil existem mais de 200 unidades de distribuição de leite materno em todo o país, e campanhas realizadas pelo Ministério da Saúde nos últimos anos, no sentido de motivar e promover as doações, vêm conseguindo que a disponibilidade aumente significativamente e que cada vez mais crianças possam ser atendidas.

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E você, mamãe, já conhecia as complexidades e os perigos envolvidos na amamentação cruzada? Conhece alguém que tenha praticado ou ainda pratique essa atividade? Não deixe de dividir sua opinião e experiências conosco nos comentários e aproveite para compartilhar este artigo com outras mães através das redes sociais!

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Redação - Alô Bebê

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