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É possível reverter a laqueadura e engravidar?

É possível reverter a laqueadura e engravidar?

Muitas mulheres, antes ou depois de fazerem a laqueadura, perguntam-se se o procedimento cirúrgico pode ser revertido e quais são as chances de engravidar. Apesar de ser considerado um método contraceptivo definitivo, a verdade é que existe a possibilidade de voltar atrás e reverter a laqueadura, mas o sucesso da modificação depende de uma série de fatores.

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Por isso, se você ainda não passou pelo processo de laqueadura, é preciso pensar muito bem e considerar a utilização de outros métodos, como camisinha, pílula, DIU e anticoncepcionais. Outros fatores, como idade, status de relacionamento, situação financeira e quantidade de filhos podem influenciar a escolha e gerar arrependimentos futuros.

Em entrevista ao site Universa, a coordenadora de ginecologia do Hospital Santo Antônio da Beneficência Portuguesa de São Paulo, Fabiana Ruas, explica a motivação para as mulheres se arrependerem da laqueadura: "Cerca de 60% das pacientes procuram a reversão da laqueadura pois mudaram de parceiro e estes não têm filhos. O restante é composto por mulheres que perderam seus filhos ou melhoraram de condição financeira".

O que é laqueadura?

A laqueadura é uma cirurgia que consiste em amarrar, cortar ou queimar as trompas (ou tubas) com o objetivo de impedir que os espermatozoides cheguem até o óvulo. Ela pode ser feita após o parto natural ou após a cesárea, por meio de laparoscopia ou por via vaginal.

Segundo a Lei do Planejamento Familiar, apenas mulheres com mais de 25 anos de idade ou que já tenham pelo menos dois filhos podem realizar o procedimento. Antes de fazer a laqueadura, é indicado realizar uma avaliação psicológica e efetuar a cirurgia apenas após 60 dias da manifestação do desejo.

O Brasil é um dos países com a maior taxa de laqueadura no mundo. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), 40% das mulheres em idade reprodutiva (de 10 a 49 anos) são esterilizadas, número semelhante ao de nações como China e Índia. Já nos Estados Unidos, o índice cai para 20%; na França, para apenas 6%.

Existem aproximadamente dez técnicas para realizar a laqueadura, e a escolha depende do profissional e da situação pessoal de cada paciente. É possível queimar ou cortar as trompas, colocar anéis de plástico para bloquear a passagem, usar fios de titânio e até mesmo fio de sutura para fechar o canal.

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A laqueadura só é recomendada sem restrições quando a mulher apresenta algum problema de saúde, como diabetes descompensada, histórico de eclampsia e pressão alta. Ademais, é necessário pensar muito antes de optar por uma cirurgia que é considerada definitiva.

A reversão

A reversão da laqueadura, chamada também de salpingoplastia, reanastomose tubária ou recanalização das trompas, tem 50% de chances de sucesso e depende muito da técnica cirúrgica utilizada para a esterilização. A principal condição para que a reversão seja realizada com sucesso é que a integridade da parte final das trompas esteja preservada. Além disso, a tuba uterina não pode estar dilatada, com muitas aderências (cicatrizes) ou doente. Se forem descartadas essas condições, a religação das trompas pode ser realizada.

Geralmente, os procedimentos com anel plástico ou clipe são mais fáceis de serem revertidos. A cirurgia consiste em retirar as porções danificadas das trompas e, em seguida, unir as partes sadias para que os espermatozoides consigam chegar até o óvulo. Quanto mais danificadas as trompas estiverem, menor será a taxa de sucesso da cirurgia.

A laqueadura é revertida de forma semelhante à da vasectomia, com a inserção de instrumentos e de uma microcâmera para religar os canais por meio de uma microssutura, já que a tuba uterina tem entre 3 e 5 milímetros de diâmetro. Apesar de ser uma cirurgia pouco invasiva, a sua delicadeza e complexidade fazem com que o procedimento dure de 2 a 4 horas.

Após a reversão da laqueadura

Após o procedimento, a paciente geralmente fica internada por 24 horas, mas o período pode se estender a até 3 dias; são necessárias cerca de 2 ou 3 semanas para a mulher poder voltar às suas atividades normais. A fertilidade só poderá ser considerada recuperada após 30 dias, com as tentativas de engravidar liberadas a partir de 3 meses após a cirurgia.

As mulheres geralmente conseguem engravidar depois de 6 meses a 1 ano após a cirurgia, sendo que normalmente as chances de ter um filho caem cerca de 15% a 20%. Após a reversão da laqueadura, pode haver aumento das chances de uma gravidez ectópica, ou seja, uma gestação fora do útero, que geralmente se interrompe de modo natural entre 6 e 12 semanas.

Segundo estudo realizado em um hospital público do Distrito Federal com pacientes submetidas à recanalização tubária entre outubro de 1977 e março de 2006, 67,26% delas conseguiram engravidar após o procedimento, mas, desse total, 5,6% tiveram gestação ectópica.

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Caso a cirurgia não tenha sucesso, muitos profissionais indicam técnicas de fertilização in vitro e transferência de embriões para o casal.

Vale a pena?

Como dito anteriormente, o sucesso da reversão da laqueadura depende diretamente do quão danificadas estão as trompas. Além disso, é preciso observar que a cirurgia é mais bem-sucedida em mulheres abaixo dos 35 anos de idade, já que há uma queda gradual de fertilidade durante a vida, acelerada entre 35 e 40 anos, época em que aumentam as chances de um aborto espontâneo.

O tempo que a mulher permaneceu infértil também influencia. Quanto maior for o período entre a laqueadura e a reversão, menor será a chance de conseguir engravidar. Já mulheres que estão na menopausa não precisam fazer a cirurgia, pois não liberam mais óvulos e seria inútil fazer a reversão depois desse período.

Conclusão

A reversão da laqueadura é possível, especialmente entre mulheres abaixo de 35 anos que não apresentam outro obstáculo para engravidar além da esterilização. Quanto mais cedo a mulher optar por reverter o procedimento, e dependendo da produção de espermatozoides do companheiro, maior pode ser a chance de sucesso na gravidez.

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O processo, porém, pode ser dificultado, já que no Brasil existem poucos centros de saúde que contam com tecnologia e profissionais capacitados para fazer a cirurgia. O Sistema Único de Saúde (SUS) não realiza a reversão e alguns detalhes da operação podem não ser cobertos pelo plano de saúde, por isso o ideal é avaliar muito bem todas as alternativas de métodos contraceptivos antes de optar por uma laqueadura.

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Redação - Alô Bebê

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