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Entenda a importância do objeto transicional

Entenda a importância do objeto transicional

A maioria das crianças passa por essa fase e quem tem contato com os pequenos de qualquer maneira – seja por ser pai, professor ou mesmo amigo da família – já deve ter notado alguma delas andando com um objeto transicional.

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Eles estão presentes até mesmo na ficção, como o coelho de pelúcia que é amigo inseparável da Mônica, ou o cobertor que o Linus, da Turma do Charlie Brown, carrega por todos os lados. Muitas crianças têm seus cobertores ou panos, mas o objeto transicional pode ser qualquer coisa, até mesmo partes do corpo.

Mas por que tantas crianças se apegam assim a um objeto? E o que os pais devem fazer sobre isso? Continue sua leitura para saber mais!

O que é o objeto transicional?

O termo objeto de transição, ou objeto transicional, foi utilizado pela primeira vez em 1953, pelo psicanalista e pediatra inglês Donald Winnicott. Ele diz que esse objeto pode ser qualquer coisa a qual o bebê se apegue a partir do quarto mês de vida, algo que passa uma sensação de segurança e conforto que a criança começa a procurar nessa fase.

Mas por que o apego a um objeto nesse momento? Winnicott explica que, nos primeiros meses de vida, o bebê percebe a mãe como uma parte de si mesmo, como se os dois fossem uma pessoa só. A partir do quarto mês, ele começa a se dar conta de que existe uma divisão e de que ele é um indivíduo. Como consequência, ele percebe que a mãe não estará sempre lá para saciar suas necessidades e acalmar seus anseios.

Por isso, o pequeno precisa de alguma outra coisa que passe essa segurança, especialmente em momentos que trazem alguma aflição, como a hora de dormir. O objeto transicional pode ser um objeto, de fato, mas também um som, um cheiro ou uma parte do corpo – como no caso de crianças que chupam o dedo.

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A escolha é tão subjetiva que talvez seu filho tenha um objeto e você não perceba. Em uma pesquisa feita em 2008 nas universidades de Yale, nos Estados Unidos, e Bristol, na Inglaterra, conclui-se que os objetos de transição têm propriedades que só as crianças que se apegam a eles percebem, como se fosse uma essência invisível.

Essa relação é saudável?

O objeto transicional é adotado pelas crianças para diminuir a ansiedade nos momentos em que a mãe, o pai ou qualquer outra figura importante e relevante para a criança não estão por perto. Controlar essa sensação é muito importante para os pequenos, porque eles ainda não têm outras maneiras de lidar com essa separação.

Com o tempo, as crianças desenvolvem mais independência e, como consequência, acabam deixando o objeto de lado. Porém, enquanto esse desenvolvimento acontece, o objeto transicional acaba sendo uma garantia de segurança e conforto para ela.

Além disso, ele também ajuda a criança a desenvolver a criatividade e a afetividade, assim como a auxilia a lidar com a agressividade e outros sentimentos mais intensos. Por isso, o objeto não apenas é comum, mas também é saudável.

É importante ressaltar que você não pode escolher o objeto pela criança. Ela vai decidir sozinha, não importa quantas naninhas, paninhos ou cobertores estiverem na cama dela. E mais de um objeto pode tomar essa posição, como no caso de crianças que dormem com bichinhos de pelúcia e chupam o dedo ao mesmo tempo.

Ter mais de um objeto transicional pode ser muito positivo quando um deles precisa ser lavado. A criança pode estranhar o objeto que foi lavado, especialmente se ele tinha o cheiro da mãe. Em casos como esse, ter um segundo pode ajudá-la a se sentir confortada e segura do mesmo modo.

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Enfim, mesmo que o objeto transicional seja importante e saudável para os pequenos, saiba que nem todos precisam disso. Muitas crianças se sentem suficientemente seguras sem precisar de um objeto de transição, e não há nada de errado nisso.

Quando o apego é exagerado?

Muitas vezes, os pais se preocupam com o relacionamento entre a criança e o objeto transicional, especialmente se for uma parte do corpo de outra pessoa. Você já deve ter visto crianças que gostam de brincar com as orelhas dos adultos que as estão segurando no colo, por exemplo. Porém, algumas vezes, as crianças se apegam a partes dos corpos dos pais e acabam atrapalhando a rotina do adulto por causa do apego.

Isso é um caso a ser tratado com um especialista porque foge do objetivo do objeto de transição, que é ajudar a criança a criar independência. Porém, quando esse apego não prejudica o desenvolvimento da independência e nem a rotina dos adultos, o melhor a fazer é esperar que a criança, sozinha, pare de se importar com o objeto em questão.

Até onde ele pode ir?

Objetos de transição devem ir com a criança para a escola, para a casa dos amigos ou em viagens de família? Nos dois últimos casos, se a criança quiser levar, não há qualquer problema. Na verdade, ele provavelmente vai ajudá-la a dormir melhor em um ambiente desconhecido.

Mas e se você perder ou se esquecer do objeto quando for viajar? O melhor a fazer é explicar para a criança o que aconteceu, para que ela não pense que o objeto foi escondido ou tirado dela. Depois, espere que ela se adapte ao novo ambiente e, se nada der certo, procure outro objeto em que ela possa se apoiar pelos dias de viagem.

E na escola, o objeto transicional pode acompanha-la? Na maioria das salas de aula, os professores já estão acostumados com o conceito e permitem que os pequenos fiquem com seus objetos durante os primeiros dias, enquanto ainda estão se adaptando ao ambiente escolar. Depois, pedem que ele fique guardado na mochila. Mas as próprias crianças, quando percebem que seus amigos não levam nada para a escola, começam a decidir deixá-lo em casa.

Quando acontece o desapego?

Não há uma idade certa para que a criança deixe o objeto transicional de lado. Em geral, entre os 3 e 5 anos, ela começa a ter outros interesses e deixa o cobertor, o bichinho de pelúcia ou o paninho de lado. Mas essa transição é emocional, e não cronológica. Por isso, não há como saber quando seu filho vai deixar o objeto dele de lado.

Se o seu filho passar dos 5 anos e não conseguir deixar esse objeto de lado, talvez essa dependência esteja mascarando um problema maior. Crianças que passam por situações traumáticas, por exemplo, carregam o objeto transicional por mais tempo. Se esse apego estiver afetando o desenvolvimento do seu filho, é uma boa ideia buscar ajuda de um psicólogo.

Mas não tente adiantar esse desapego escondendo ou jogando fora o objeto transicional do seu filho. Isso será visto como uma forma de agressão, quebrando a confiança e deixando a criança ainda mais ansiosa e angustiada. Nessa situação, ela pode encontrar outro objeto de transição e se apegar ainda mais.

O que você pode fazer, no entanto, é compreender esse apego. A questão a ser resolvida não é o cobertor que a criança arrasta pela sala, e sim por que ela o arrasta. Ajudar seu filho a se tornar alguém mais independente e a lidar com situações ansiogênicas é uma maneira de fazê-lo ser mais autônomo e menos dependentes do objeto de transição.

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Com o tempo, muita conversa e compreensão, seu filho vai crescer, e o objeto transicional será mais uma das boas lembranças que sua família terá dessa fase da infância.

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Redação - Alô Bebê

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