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O que é a episiotomia – e quando ela realmente se faz necessária?

O que é a episiotomia – e quando ela realmente se faz necessária?

O termo “Episiotomia” pode não ser muito familiar, mas toda mulher que passou por um parto vaginal – ou gostaria que seu filho nascesse dessa forma – sabe a que ele se refere. Esse é o nome do procedimento que consiste em realizar uma incisão no períneo, ou seja, no tecido entre a abertura vaginal e o ânus, para tornar a abertura do canal mais ampla durante o nascimento do bebê. Mas, será que esse corte é realmente necessário? E mais: quais são as possíveis consequências para a mãe? Esses são alguns dos temas que nós da Alô Bebê vamos abordar neste artigo.

Números preocupantes

A episiotomia é um procedimento que, apesar de hoje causar bastante polêmica, costumava ser praticado de maneira rotineira, e assim foi durante muitas décadas. Atualmente, a recomendação é que a técnica seja usada somente quando há indicação e, embora o número de mulheres submetidas ao corte tenha caído – e venha caindo mundo afora –, no Brasil ainda é bastante comum que as parturientes passem pela episiotomia durante o parto vaginal.

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Para se ter ideia, segundo estimativas da Organização Mundial de Saúde, o procedimento seria crucial e recomendado em somente entre 10 a 15% dos partos vaginais. Contudo, um levantamento envolvendo 24 mil mulheres que tiveram filhos através de parto normal, realizado pela Fundação Oswaldo Cruz em parceria com o Ministério da Saúde, apontou que, no Brasil, a incisão foi realizada em 53% dos casos.

A mesma pesquisa revelou que, entre mulheres sem nenhum risco obstétrico, a porcentagem das que foram submetidas à episiotomia foi de 56%. Esses números mostram que a prática é realizada de forma completamente desnecessária em boa parte dos partos vaginais no nosso país. Por quê? A principal justificativa está relacionada com a questão de ela ter sido uma recomendação oficial que os obstetras recebiam nas faculdades de medicina e em hospitais, o que acabou por transformar o procedimento em rotina.

Além disso, durante décadas, o procedimento era praticado por se acreditar que a incisão ajudava a evitar lacerações vaginais durante o parto. Na verdade, o corte oferece melhor cicatrização do que as rupturas de períneo que podem acontecer no nascimento do bebê, e os obstetras acreditavam que a episiotomia ajudava a preservar a musculatura e os tecidos conectivos que suportam o assoalho pélvico.

De fato, o procedimento foi desenvolvido com o propósito de solucionar complicações durante o parto vaginal e pode, potencialmente, salvar a vida da mãe e do bebê. Entretanto, pesquisas mais recentes apontam que a incisão pode gerar uma variedade de complicações, especialmente quando mal executada. Portanto, a episiotomia não deve ser empregada de forma arbitrária. Mas, como, afinal, o procedimento é realizado – e quando ele é realmente indicado?

Tecnicalidades

Durante o parto vaginal, depois que a cabecinha e o queixo do bebê ficam expostos, fora do canal vaginal, os ombros normalmente vêm em seguida, assim como o resto do corpinho da criança. Contudo, pode acontecer de os tecidos que compõem a abertura vaginal não se distenderem o suficiente para acomodar o feto, e é aí que a episiotomia precisa ser realizada – para que a abertura seja maior e a ocorrência de lacerações seja evitada.

A recomendação pode ser decorrente da necessidade de se realizar um parto mais rápido, talvez porque o ombro do bebê ficou preso na pelve da mãe – essa situação é chamada “distócia de ombro” –, o que é considerado uma emergência obstétrica, já que pode resultar na morte do feto.

O procedimento também é recomendado em caso de sofrimento fetal – quando são identificadas irregularidades no ritmo cardíaco do bebê que indicam que ele não está recebendo oxigênio suficiente e precisa ser retirado rapidamente para evitar o risco de sequelas neurológicas e até o óbito – ou ainda quando o obstetra precisa fazer do uso do fórceps ou do vácuo extrator para ajudar a criança a nascer.

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A episiotomia pode ser indicada em caso de o bebê ser muito grande – a probabilidade de que o procedimento seja necessário aumenta quando o feto pesa acima dos 3,5 quilos – ou seja prematuro, já que a cabecinha pode não estar completamente formada e a ampliação do canal vaginal ajuda a prevenir hemorragias cranianas. Ademais, a incisão pode ser realizada quando a criança não está bem posicionada no momento do parto ou quando a gestante tem alguma condição séria de saúde que coloque a sua vida em risco.

Como a episiotomia é realizada?

O procedimento é bem simples: quando a cabecinha do bebê começa a sair, se o obstetra observar que os tecidos não se distenderam o suficiente, a incisão é realizada com o uso de uma tesoura ou bisturi. Em caso de que a gestante tenha recebido sedação ou anestesia, o corte é feito diretamente, mas se o efeito dos medicamentos estiver passando ou se a mulher não tiver recebido tratamento para dor, é aplicada uma anestesia local.

Existem 2 tipos de incisão, a mediana, em que o corte é realizado verticalmente no períneo, no sentido da vagina para o ânus, e a mediolateral, que é feita em um ângulo de mais ou menos 45 graus em qualquer um dos lados da vagina, também seguindo o sentido da abertura vaginal para o reto.

A primeira geralmente apresenta melhor índice de recuperação, mas um maior risco de que o procedimento atinja o ânus, as mucosas internas e o esfíncter, e a segunda, embora ofereça menor perigo de afetar a região anal, costuma ser mais dolorosa, está associada com uma maior perda de sangue e tem cicatrização mais lenta.

Nos dois casos, após o parto e a expulsão da placenta, os cortes são suturados com um material que é naturalmente absorvido pelo organismo, o que significa que há não necessidade de que a mulher volte ao hospital para retirar os pontos, e a cicatrização da incisão normalmente leva entre 4 e 6 semanas, dependendo do tamanho da incisão e o tipo de material usado na sutura.

Algumas dicas para controlar a dor e motivar cicatrização são aplicar gelo – envolto em tecido limpo e suave – na área da incisão, o uso de almofadas indicadas para o pós-operatório nessa região e deixar os pontos expostos ao ar livre uma ou duas vezes ao dia. Também existem medicamentos para a dor, assim como pomadas e cremes cicatrizantes, mas a mulher deve usar somente os que foram prescritos pelo médico.

Possíveis complicações

A recuperação costuma ser sofrida e, tal como ocorre em qualquer cirurgia, existem vários riscos associados com a episiotomia, como o surgimento de infecções, sangramentos, formação de hematomas no períneo, fibrose, perda de sensibilidade e danos no reto e esfíncter – que podem resultar na incontinência fecal. Ademais, 9 de cada 10 mulheres que passam pela episiotomia relatam sentir dor ao retornar à atividade sexual, mesmo vários meses depois do parto.

Aliás, cerca de 1% das mulheres submetidas ao procedimento passam a sentir dor extrema, em um nível que afeta suas atividades cotidianas e qualidade de vida. Inclusive há mulheres que levam mais de um ano para conseguir retomar as relações íntimas com seus parceiros, tamanho é o trauma causado pela incisão. Assim, embora a necessidade de realizar a episiotomia seja identificada pelo obstetra, a escolha de fazê-la ou não deve ser discutida com a gestante – e aceita por ela.

Tem como evitar?

Tudo depende da evolução do parto, mas, algumas vezes, a necessidade da episiotomia já é identificada no pré-natal. Entretanto, estudos apontaram que a realização de exercícios para o assoalho pélvico pode ajudar no fortalecimento da musculatura da vagina e do ânus, assim como a massagem perineal, que ajuda a relaxar os tecidos e torná-los mais flexíveis e resistentes às lacerações, e a aplicação de compressas quentes na área durante o trabalho de parto.

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E você, tem alguma experiência relacionada com a episiotomia para compartilhar com outras mães e gestantes? Divida conosco nos comentários! Lembre-se que as suas vivências podem ajudar outras mulheres.

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Redação - Alô Bebê

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