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Cyberbullying: confira como proteger o seu filho dessa ameaça

Cyberbullying: confira como proteger o seu filho dessa ameaça

Ser ridicularizado, humilhado, chamado de nomes e apelidos pejorativos, ser ofendido, assediado e se tornar alvo de rumores, chacotas, chantagens, ameaças e gozações. Todas essas – e outras tantas – ações são sofridas por quem é vítima de bullying e não são fáceis de enfrentar, especialmente pelas crianças e adolescentes, que ainda não desenvolveram as armas psicológicas necessárias para se blindar contra esses tipos de ataque.

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Só que, nos últimos anos, as agressões ganharam a internet como aliada e passaram a acontecer no ambiente virtual, onde acabaram por adquirir uma nova gama de armas, espaços e ferramentas que estão convertendo os ataques em atitudes cada vez mais complexas e destrutivas. Pois é, estamos falando do cyberbullying e, a seguir, nós aqui da Alô Bebê vamos nos aprofundar nesse delicado assunto e dividir uma seleção de informações úteis, tanto para os pais e responsáveis de crianças que se tornaram alvo de assédio virtual, como para os dos jovens que se envolvem e realizam as agressões.

Como o Bullying – só que piorado

O cyberbullying, conforme mencionamos acima, basicamente consiste no ato de hostilizar outras pessoas por meio das mais diferentes plataformas online, como redes sociais, comunidades, serviços de mensagens eletrônicas, blogs, aplicativos, emails, mensagens de celular e um sem fim de outros meios virtuais.

E por que o cyberbullying está se tornando ainda mais devastador do que o bullying tradicional? Por que, apesar de ambos serem muito parecidos em sua essência, o assédio virtual permite que as agressões sejam disseminadas a uma velocidade extraordinária, e que o alcance do ataque tenha proporções absurdas.

Como se fosse pouco, os agressores, ao contrário do que acontece com o bullying tradicional, não costumam confrontar as suas vítimas cara a cara e não as atacam presencialmente, mas as hostilizam a partir da segurança das telas de seus computadores, celulares, identidades fictícias e imagens de perfil fabricadas. Com isso, eles têm a falsa sensação de proteção e até de anonimato e, portanto, se tornam mais ousados e não temem destilar a sua crueldade contra os seus alvos.

Por quê?

Ao contrário do que acontecia há algumas décadas, quando crianças e adolescentes tinham mais liberdade para brincar na rua, passear com os amigos e socializar com a turminha do bairro, do clube ou da escola, pais e responsáveis, com medo dos riscos que cada vez mais focam nos nossos jovens e no aumento nos índices de violência, vêm restringindo cada vez mais as “saídas” dos filhos.

No entanto, crianças e adolescentes continuam necessitando se encontrar com os amigos e socializar, só que, devido às circunstâncias, essas atividades acabaram migrando em parte para o ambiente virtual. E, com a propagação dos smartphones, o aumento ao acesso à internet e a proliferação de redes sociais e plataformas para interação online, o bullying acabou invadindo esse terreno.

O cyberbullying é um problema que preocupa educadores, autoridades, pais e responsáveis de todo o mundo. Com relação ao Brasil especificamente, uma pesquisa realizada no ano passado envolvendo 29 países e quase 20,8 mil pessoas, nos colocou no segundo lugar no ranking de maior incidência de ataques, vindo apenas depois da Índia, e, para se ter ideia, levantamentos apontaram que pelo menos um terço de todas as crianças e adolescentes com acesso à internet já sofreu algum tipo de assédio virtual.

Consequências para as vítimas

Uma das características do cyberbullying é que, segundo explicamos anteriormente, muitos dos agressores criam perfis que encobrem suas verdadeiras identidades publicamente e, sendo assim, é difícil para que a vítima reconheça o responsável – ou responsáveis – pelo ataque. Dessa forma, a pessoa sofrendo as agressões muitas vezes se torna paranoica e passa a desconfiar de todos à sua volta, o que pode ser torturante, especialmente para as crianças e os adolescentes.

Quando uma agressão verbal, física ou sexual é compartilhada online, a pessoa que foi alvo do ataque volta a ser vítima toda vez que o material é salvo, visualizado, distribuído e encaminhado. E toda vez que isso acontece, a pessoa agredida sente novamente os efeitos do ataque, o que, por sua vez, pode desencadear uma variedade de problemas psicológicos, como transtornos de ansiedade, distúrbios alimentares e do sono, ostracismo, autoflagelação, dificuldades de socialização e de relacionamento, recusa de frequentar a escola ou locais públicos e até o abuso de drogas.

Também existem casos em que, na tentativa de escapar das agressões, as vítimas tentam mudar a própria aparência e frequentar outros ambientes, mas, evidentemente, uma das consequências mais graves e, infelizmente, reais do cyberbullying, é o suicídio. Sim... em alguns casos a situação se torna tão insuportável para a vítima que ela acaba por tomar medidas desesperadas para pôr um fim em seu sofrimento. Portanto, o acompanhamento psicológico é bastante recomendado para evitar tragédias e traumas na vida adulta.

Diferentes facetas

O cyberbullying é um fenômeno global e se baseia no ambiente virtual, o que permite que as agressões contem com a participação de uma “plateia” potencialmente infinita, composta não só pelos perpetradores dos ataques, mas também por aqueles que assistem a tudo sem tomar partido e sem se posicionar positiva ou negativamente sobre as ações, e pelos “cyber voyeurs”, que são os que simplesmente se divertem com as agressões.

É bastante comum que os ataques sejam motivados por algum tipo de discriminação, seja ela de cor, gênero, religião ou orientação sexual, e muitas das hostilidades ocorrem por conta da dificuldade dos mais jovens em identificar e não extrapolar a linha tênue que separa uma simples brincadeira de agressões e ofensas.

Um agravante nesse sentido é que crianças e adolescentes têm a necessidade de se sentirem parte do grupo, então, quando existe o forte desejo de ser aceito pelos demais, brincadeiras e piadas relacionadas com uma vítima específica podem escalar rapidamente, sair completamente de controle e se transformar em algo potencialmente criminoso – tudo no intuito de agradar e fazer parte de um determinado círculo social.

Há os agressores que, por conta de dificuldades de socialização, por serem vítimas de situações de violência em suas casas ou por terem passado por algum trauma, se escondem atrás de perfis falsos e avatares para descarregar a sua frustração em pessoas que são um reflexo do que eles gostariam de ser – como jovens populares, atraentes, extrovertidos e bem-sucedidos, por exemplo –, o que é uma ação covarde, obviamente, mas é a forma que o autor das hostilidades encontrou para lidar com os próprios problemas.

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Também é normal que, principalmente entre os adolescentes, os ataques ocorram como forma de quebra de confiança, quando uma amizade ou relacionamento acaba, e um dos envolvidos decide divulgar materiais íntimos para constranger e difamar o outro.

Ademais, as ofensivas podem adotar muitas formas e ser propagadas pelos mais diversos canais e, além de envolverem a disseminação de fofocas, falsidades, brincadeiras de mau gosto, ameaças, fotos e vídeos embaraçosos e insultos, os cyberbullies (como são chamadas as pessoas que realizam os ataques) muitas vezes criam grupos em aplicativos e redes sociais focados em hostilizar as vítimas e inclusive para combinar ações, brigas e até situações de assédio sexual – e não é raro que as agressões sejam gravadas e o conteúdo divulgado online para quem quiser ver.

Alguns agressores inclusive chegam ao ponto de se fazer passar por suas vítimas, postando comentários, mensagens e participando de discussões online com o propósito de dar mais fôlego e agravar os ataques. Pois é! O cyberbullying pode, de fato, chegar a esses extremos, e cada vez mais as agressões ganham novas formas.

Como lidar com o cyberbullying?

Caso os pais ou responsáveis descubram que a criança ou adolescente se tornou vítima de cyberbullying, a primeira medida a ser tomada é a de não responder à agressão. Se envolver em discussões ou devolver as hostilidades pode piorar ainda mais a situação e armar os cyberbullies com novo material para ser disseminado online e mais combustível para a realização de novos ataques.

Outra medida válida é a de desconectar a vítima das redes sociais e bloquear as pessoas envolvidas no cyberbullying. A grande maioria das plataformas para comunicação e plataformas sociais contam com ferramentas para filtrar e impedir o contato de usuários indesejados, portanto, elas devem ser usadas. Já no que diz respeito às mensagens e chamadas recebidas pelo celular, a criança ou adolescente deve ser orientado a somente atender ou responder quando se tratar de um contato conhecido.

Se ocorrer de as contas de email, redes sociais etc. serem invadidas pelos cyberbullies – e eles estiverem se fazendo passar pela vítima –, a orientação é a de que as informações de contato e senhas de acesso sejam imediatamente trocadas. No caso do surgimento de perfis falsos (sim, os agressores podem se dar ao trabalho de fazer isso, e podem criar essas contas facilmente!), as companhias ou sites que oferecem os serviços devem ser informadas de que se trata de cyberbullying.

Além disso, é de vital importância salvar e fazer prints de todos os emails, mensagens e evidências dos ataques e enviá-los às empresas de telefonia, provedores de internet e desenvolvedoras de plataformas e aplicativos. Essas provas todas também podem ser bastante úteis na hora de mover possíveis ações judiciais contra os agressores.

E um ponto crucial que deve ser levado em consideração: nem sempre as crianças e adolescentes vítimas de cyberbullying procuram os pais ou responsáveis para relatar o problema. Isso porque, frequentemente, eles sentem vergonha do que está acontecendo, temem ser acusados de ter feito algo errado (ou acessado um site ou serviço que não deviam), se sentem culpados pelas hostilidades e se preocupam com os possíveis castigos que poderão sofrer.

Apoio incondicional

Caso a criança ou adolescente não se abra, existem alguns indícios que podem indicar que o jovem se tornou vítima de cyberbullying. Entre os sinais mais comuns estão a mudança drástica de comportamento com relação ao uso dos dispositivos eletrônicos, que passa a ser mais (ou menos) intensa, saída de redes sociais e outras plataformas ou criação de novos perfis, perda de interesse em participar de situações sociais, isolamento, demonstrar profunda tristeza e começar a esconder a tela do celular ou computador quando alguém se aproxima.

Sendo assim, os adultos devem ficar alertas e observar atentamente o comportamento dos jovens bem de perto e, se a criança ou adolescente finalmente se abrir e revelar uma situação de cyberbullying, elas não devem ser julgadas nem devem receber broncas ou sermões.

Uma conversa franca e aberta com a vítima, na qual os pais ou responsáveis avaliam o que aconteceu, dão as orientações necessárias sobre o que é certo e errado, e asseguram aos filhos que estão ali para apoiá-los, é o melhor caminho a ser tomado, uma vez que, dessa maneira, os jovens se sentirão mais à vontade para se abrir e compartilhar seus problemas. Castigos, advertências e reprovação só piorarão as coisas e farão com que crianças e adolescentes percam a confiança nos adultos e se fechem em seus mundinhos.

Também é essencial não fazer pouco caso da situação ou simplesmente orientar o jovem a lidar com os ataques sozinho, esquecer o problema ou não dar bola para as agressões. Isso porque, muitas vezes, os cyberbullies fazem parte do convívio das crianças e dos adolescentes, o que significa que os jovens não só estão em contato constante com os responsáveis pelas hostilidades, como se sentem como se estivessem sob pressão e ataque o tempo todo.

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Além disso, o sofrimento causado pelo cyberbullying é enorme, uma vez que as vítimas nem sempre sabem ao certo que iniciou os ataques e desconhecem quantas pessoas viram ou compartilharam as agressões online. E como os alvos do cyberbullying “carregam” as hostilidades consigo onde quer que eles vão – afinal, tudo fica registrado e acessível online através de um simples toque na tela do celular –, as vítimas sentem como se não existisse um refúgio.

E no caso dos agressores? Inúmeras pesquisas revelaram que, assim como as vítimas de cyberbullying frequentemente passam a apresentar dificuldades de socialização, baixo rendimento escolar e diversos problemas psicológicos após ser tornarem alvos de ataques, os cyberbullies também sofrem com esses mesmos impasses – e, igual que suas vítimas, padecem emocionalmente e muitas vezes contemplam tirar as próprias vidas.

Aspectos legais

Existem diversas iniciativas no sentido de combater o cyberbullying, mas, infelizmente, as ações ainda são bastante tímidas. É de vital importância que pais, guardiões legais, educadores e responsáveis por criar políticas públicas comecem a debater mais sobre o assunto e orientem as crianças e adolescentes sobre os limites do que eles fazem online. É necessário fazê-los entender as consequências de seus atos sobre as suas vítimas e assumir as responsabilidades por seus atos.

Os jovens precisam aprender a identificar e não cruzar a linha que separa o público do pessoal, e aprender que suas ações podem ter consequências para o seu futuro e o de outras pessoas. As humilhações, agressões, fofocas e violência online não são diferentes de crimes como a calúnia, a difamação e a injúria – eles só ocorrem em um ambiente diferente. No entanto, a vítima, apesar de muitas vezes não saber como proceder ou preferir não reportar o cyberbullying por medo de retaliações, pode contar com amparo legal.

Aliás, as autoridades competentes deveriam ser acionadas mais frequentemente e mais processos deveriam ser movidos contra os cyberbullies – já que isso serviria como forma de inibir e combater as hostilidades online.

Com relação a rastrear os agressores, conforme mencionamos mais no início deste artigo, a sensação de anonimato não é de todo real, já que existem ferramentas para descobrir de onde partiram os ataques e para identificar todos os envolvidos no cyberbullying, desde quem iniciou as hostilidades, até quem compartilhou conteúdos das vítimas. E de posse dessas informações, as vítimas podem envolver sistemas de proteção criminal e policial, assim como mover ações judiciais e indenizatórias.

Vale ressaltar que quando o cyberbullying envolve a participação de jovens menores de idade – que é o mais frequente – e, portanto, pessoas incapazes de arcar com custos de processos, indenizações e multas, a responsabilidade recai sobre pais ou guardiões legais. É claro que dinheiro nenhum “paga” pelas humilhações e agressões sofridas pelas vítimas, tampouco devolve a dignidade perdida, mas é importante tomar medidas legais para coibir e lutar contra o cyberbullying.

Deveres dos adultos

Os educadores, autoridades e adultos que fazem parte do dia a dia de crianças e adolescentes têm um papel importante na prevenção e combate ao cyberbullying, mas a maior responsabilidade é dos pais ou guardiões legais mesmo! E o que eles podem fazer para proteger os filhos?

Um aspecto imprescindível para garantir a segurança de crianças e adolescentes é estabelecer regras para o uso de computadores, celulares e outros dispositivos que permitam o acesso à internet. Os pais e responsáveis devem definir limites sobre o que os jovens podem ou não visitar e fazer online, e como o risco de cyberbullying aumenta de acordo com o tempo que os filhos passam conectados, então, também se faz necessário limitar o período de exposição no ambiente virtual.

Pode parecer uma tarefa impossível, essa de estabelecer limites, mas ela se torna mais fácil quando os adultos expõem as razões para isso e a criança ou adolescente é envolvido no processo e participa na definição das regras. Aliás, dessa maneira é mais provável que o jovem respeite as normas. Além disso, os adultos devem ensinar os filhos a terem mais responsabilidade quando estiverem online, a tratarem os demais usuários com respeito – independentemente de quem eles sejam – e a evitarem confrontos virtuais.

Ademais, é de responsabilidade dos pais e responsáveis orientar os filhos a refletir sobre o que vão publicar online – já que eles podem ser superimpulsivos às vezes e não costumam pensar que, uma vez postado, o conteúdo pode ser visualizado e compartilhado por qualquer um, assim como ser usado como arma.

Mais dicas

Outra tarefa difícil, mas fundamental, é a que pais e responsáveis se mantenham atualizados com relação ao que está acontecendo no mundo virtual, se informando sobre as tendências tecnológicas e os novos aplicativos e redes sociais que surgem por aí. Uma dica interessante é a de encarar esse exercício (que deve ser constante!) como uma oportunidade de se aproximar dos filhos e pedir que eles se envolvam no “aprendizado” dos pais, compartilhando quais são seus sites, aplicativos, jogos e plataformas online favoritos.

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Um “bônus” dessa atividade é que ela permite que pais e responsáveis descubram o que crianças e adolescentes andam fazendo online – sem que pareça que os adultos estejam necessariamente vigiando os passos dos jovens –, o que eles compartilham pela internet e quem são as pessoas com que eles mais interagem. Essas são excelentes oportunidades para que os adultos possam orientar os jovens sobre o seu comportamento.

Deve-se, ainda, sempre atentar para as idades mínimas exigidas pelas plataformas para que os usuários possam criar perfis em redes sociais, comunidades e aplicativos. As mais populares delas, isto é, o Facebook e o Instagram, estabelecem um limite mínimo – que é de 13 anos de idade, embora muitos pais e responsáveis não saibam –, e falsificar a data de nascimento de forma que a criança possa fazer parte desses ambientes virtuais é errado.

 

E mais: se pais e responsáveis monitoram o que os filhos fazem dentro e fora de casa, no ambiente “físico”, se informando com quem saem, onde foram, o que fizeram e a que horas voltaram, o mesmo deve ser feito quando se trata do ambiente virtual. Sendo assim, os adultos devem ficar de olho nos sites que os jovens visitam, com quem eles conversam, quais redes sociais eles usam (e perguntar se podem visitar seus perfis) e acompanhar como é o seu comportamento online – tomando cuidado para não parecerem invasivos demais, obviamente.

Os pais e responsáveis também podem lançar mão das mais variadas ferramentas para monitorar e filtrar conteúdos impróprios, especialmente no caso dos mais jovens. No entanto, apesar de esses mecanismos poderem ajudar bastante e serem muito úteis, eles não substituem a participação e cuidado dos adultos. Em absoluto!

Pois é! O cyberbullying é uma ameaça complexa e que pode ter consequências devastadoras. Por isso, embora seja difícil que os pais estejam o tempo todo presentes nas vidas de seus filhos, eles não podem se omitir. É vital se aproximar dos jovens e deixar bem claro que eles estão sempre dispostos a ouvir, a orientar, a dar o seu apoio e a estar ao lado seu lado sempre, não importa a situação. E se você é um desses pais preocupados, que passou pela experiência de ver sua criança sendo vítima de ataques ou conhece alguém que esteja enfrentando esse problema, não deixe de compartilhar este conteúdo e de incentivar o debate sobre como proteger as crianças online e erradicar o cyberbullying.

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Redação - Alô Bebê

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