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Dos 20 aos 50: quais as chances e os riscos da gravidez em cada época da vida?

Dos 20 aos 50: quais as chances e os riscos da gravidez em cada época da vida?

Bebês não têm hora para aparecer. E quando eles vem, chegam chegando mesmo. Podem aparecer quando o casal está decidido a aumentar a família e está treinando ostensivamente. Ou podem pintar quando a família menos esperava. Dão o ar da graça até quando a mulher achava que não poderia mais ser mãe.

Mas, convenhamos, não há nada mais bonito para o casal, para a família e para a sociedade toda do que um novo bebê a caminho. Cada filho que nasce é como se a vida zerasse e todas as chances de uma vida melhor nascessem com ele. Quem sabe essa criança não descobre a cura de doenças, ou não vai salvar vidas refugiadas, ou inventar equipamentos, cuidar dos animais, administrar cidades?

A esperança que vem junto com cada bebê justifica tudo

Até algum tempo atrás, as mulheres olhavam para tudo isso e pensavam que tinham de correr contra o relógio, porque engravidar depois de mais velha traria muitos riscos para o neném e para ela mesma.

Hoje tudo mudou. Essa pressa, esse desespero para engravidar logo, antes dos 30 anos, de preferência, não faz mais sentido. Primeiro, porque as mulheres entraram no mercado de trabalho e almejam seguir uma carreira, se estabelecer e se estabilizar antes de colocar filhos no mundo.

Não que o trabalho seja empecilho para a maternidade, mas é preciso, sim, organizar a rotina, pedir ajuda, dividir a criação do filhote com outros adultos. Caso contrário, a jornada dupla, ou tripla inviabiliza os cuidados com a família ou o trabalho.

O segundo motivo é que a medicina e a ciência evoluíram. É possível engravidar até perto dos 50 anos, com acompanhamento e tranquilidade. A saúde do bebê e da mãe são monitorados de perto e o resultado é uma gravidez sem intercorrências, com bebês fortes e saudáveis.

Por tudo isso é possível se questionar sobre a idade limite para engravidar. O ideal para decidir o tempo certo de encomendar o herdeiro é conhecer os prós e os contras de cada fase. Sabendo os riscos e os benefícios, a família decide com mais consciência e a mulher decide baseada em evidências e não em mitos, o que é um tremendo alívio.

Vamos começar pelo começo

Desde que menstrua, tecnicamente, a mulher já pode ser mãe. No entanto, a questão aqui em relação ao limite de idade para engravidar diz respeito ao que é desejável. Uma garota de 12 a 18 anos pode estar pronta biologicamente para ter um neném, mas dificilmente terá uma estrutura organizada para esse evento revolucionário.

O ideal é que os bebês venham quando a mulher tiver uma parceria bem bacana e presente para criar e educar a criança. Alguém que divida a mesma vontade de ter filhos e a mesma disposição para cuidar desse filho. Parece pouco, mas não é. A tarefa é grande e a responsabuilidade, maior ainda.

No entanto, digamos que a gravidez venha ainda na adolescência, será preciso cuidar bem dessa garota e do bebê que está a caminho. O corpo dessa jovem mulher vai reagir bem à gestação e talvez a maior dificuldade seja o espaço na barriga. Como ainda não completaram o desenvolvimento, as meninas mais novas podem ter gravidezes mais curtas. O bebê nasce antes por falta de espaço para continuar seu crescimento. É raro, mas é preciso atentar.

A nutrição da mãe também merece cuidado para que ela não fique desnutrida, já que o bebê vai consumir as reservas e terá prioridade na nutrição. Nada de comer por dois. Essa ideia já caiu há muito tempo. Alimentação balanceada e bastante nutritiva, sim, são ótimas ideias. Por isso, além do obstetra, é legal a mãe jovem ser acompanhada por um nutricionista.

Como costumam ter boa saúde, as jovens podem e devem praticar atividades físicas. Se já era praticante, pode continuar, sem maiores preocupações. Claro que o médico precisa autorizar e orientar para não haver exageros. Se não era muito ativa, vale esperar passar a 12ª semana e aí começar com esportes mais suaves, como yoga, hiroginástica e caminhada.

A queridinha dos médicos

De acordo com a maior parte dos especialistas, o ideal para o corpo da mulher é que a gravidez ocorra entre os 20 e os 30 anos. Segundo os estudiosos, a razão é simples: antes dos 20, o aparelho reprodutor da mulher ainda não está totalmente desenvolvido e, depois dos 30, a fertilidade diminui progressivamente.

Por isso, se a família começou a se planejar e está dentro desse intervalo, é importante conhecer algumas informações práticas.

Os estudiosos defendem que o auge da fertilidade para a mulher costuma ser até os 25 anos. Mais precisamente, entre 22 e 25 anos. Esse seria, digamos assim, o período áureo. Se você lembrar do que aprendeu ainda em tempos de escola, os óvulos da mulher já nascem com ela.

Em vez de aumentarem, como as outras células do corpo, a quantidade de óvulos vai diminuindo ao longo da vida. Para quem gosta de números: a menina nasce com aproximadamente 2 milhões. Quando ela chega à adolescência, o número já reduziu 5 vezes: são 400 mil óvulos quando ela atinge a puberdade.

Tem mais um detalhe importante que respinga no limite de idade para engravidar. Como a produção de óvulos não é contínua, eles também envelhecem. Os médicos sugerem que as mulheres sejam mães jovens, porque elas têm óvulos mais jovens também. Não que isso seja uma proibição, mas pode chegar a trazer problemas.

A juventude em si também favorece o bem-estar da gestante

As articulações costumam estar em bom estado e todos aqueles problemas de saúde relacionados com o avanço da idade provavelmente ainda não apareceram.

Se a biologia está sinalizando que é o tempo ideal para engravidar, existem outros fatores que devem pesar nessa decisão. O ritmo e os estilos de vida contemporâneos tornam muito difícil uma gravidez programada nessa faixa etárea.

Pense bem

Entre 20 e 30 anos as mulheres que você conhece estão, em geral, estudando ou ingressando no mercado de trabalho. A maioria delas ainda não tem estabilidade financeira. A vida social é mais intensa e a agenda lotada. Os relacionamentos mais sérios, aqueles mais gostosos para construir uma família, estão apenas começando. Tudo isso reduz o tempo e o desejo de investir naquela dedicação toda que um bebê exige.

Tem mais, sem a segurança de uma carreira estabelecida — ou ao menos bem encaminhada —, sem os cursos preparatórios para enfrentar a vida profissional, e com relacionamentos ainda iniciais, as mulheres podem não se sentir devidamente preparadas para serem as mães que elas gostariam de ser. Abrir mão, ou negociar esse estilo de vida talvez não esteja nos planos.

Olhando para tudo isso, se a mulher se sentir apta e o casal decidir que é hora de entrar na fila do herdeiro, vamos em frente! Há boas vantagens ao escolher o período dos 20 aos 30 anos para engravidar.

Um grande benefício da gravidez é a prevenção ao câncer de mama, uma vez que os hormônios produzidos durante a gestação e as alterações nas células do tecido mamário causados pela amamentação inibem o crescimento dessa neoplasia.

Agora vem a parte ótima

Quanto mais jovem a mulher tiver essa proteção, melhor. Serve como proteção para a vida toda, um bom alívio. Uma vantagem secundária de mães jovens é a maior facilidade para recuperar a forma física anterior à gestação, por terem a pele mais elástica e mais disposição.

As recomendações são as de sempre: fazer o pré-natal bem completo, seguir a agenda de exames e consultas, tomar suplementos vitamínicos indicados pelo médico e manter a boa saúde. Como? Descansando, comendo equilibradamente e praticando atividade física.

A queridinha das mulheres

Enquanto os médicos discutem o limite de idade para engravidar e elegem a faixa ideal como dos 20 aos 30 anos, as mulheres já se adiantaram e têm tomado uma decisão um pouquinho diferente.

Engravidar cada vez mais tarde é uma tendência, não há como discutir. De acordo com o estudo “Saúde Brasil”, divulgado em 2014 pelo Ministério da Saúde, entre 2000 e 2012, o percentual de mães na faixa dos 30 anos passou de 22,5% para 30,2% e o de mães com menos de 19 anos caiu de 23,5% para 19,3%.

O exemplo mais recente e mais famoso aqui no Brasil foi o da cantora baiana Ivete Sangalo. Aos 45 anos, no meio do Carnaval, deu à luz gêmeas, Marina e Helena. A gravidez da artista, o modo como ela engravidou, os cuidados e o parto foram noticiados e acompanhados por milhares de fãs e trouxe de volta à tona a pergunta: existe mesmo limite de idade para engravidar hoje em dia?

A resposta de Ivete é: não. Enquanto o corpo aguentar e a medicina puder acompanhar, a mulher poderá adiar o sonho de ser mãe sem maiores dificuldades. Mas a faixa que tem aparecido como a preferida das futuras mães é a década dos 30 aos 40 anos.

São 10 anos como as outras faixas, mas tem características próprias e pode ser dividida em duas: até os 35 e a partir dos 35. Em termos médicos, após os 35 anos, a gestação passa a ser considerada tardia e de risco.

Antes dos 35, os médicos ainda consideram uma idade adequada para a gestação. Costuma mesmo correr tudo bem. Alguns cuidados extras, alguns exames a mais, mas nada assustador nem trabalhoso.

Muitas mulheres se sentem mesmo mais seguras e confiantes para serem mães nessa faixa do que quando eram mais jovens. Aqueles fatores que traziam insegurança diminuíram bem: ela concluiu os estudos, está trabalhando, tem sonhos para a carreira e um relacionamento confortável. Agora sim dá para encarar um bebê e desafiar o limite de idade para engravidar.

Talvez a gravidez demore um pouco mais para acontecer, porque a taxa de fertilidade é menos que aos 20 e poucos anos. Mas entre 1 mês e 18 meses de tentativa é absolutamente normal. Não vale a pena encanar.

Estar bem de saúde antes de engravidar também é legal: parar de fumar, ter uma alimentação equilibrada e praticar esportes é importante. Descansar e namorar bastante facilitam a concepção e fazem a gravidez ser mais tranquila.

A mulher deve tentar equilibrar a correria no trabalho para curtir bem a gravidez e não exagerar. Não ser mais uma menina tem essa questão. Mas ter a cabeça no lugar e mais maturidade ajudam a organizar a rotina e priorizar a gestação. Assim, ter mais de 30 anos deixa de ser um limite de idade para engravidar.

A partir dos 35, é notável a diminuição mais expressiva do número de óvulos. Isso torna as chances de engravidar, menores mesmo. A idade dos óvulos também pode trazer algumas dificuldades. Quando são mais velhos, eles estão mais sujeitos a alterações cromossômicas (que podem resultar, por exemplo, em um feto com síndrome de Down, a mais comum dessas alterações).

É possível que o médico peça exames antes de a mulher começar a tentar engravidar, justamente para reduzir os riscos de uma síndrome não esperada.

Outro risco que aumenta a partir dos 35 anos é o da gestante desenvolver diabetes ou hipertensão. A diabetes costuma fazer com que o bebê cresça e engorde bastante. Mães diabéticas podem ter nenéns de 4 ou 5kg, quando a média é 3kg. Bebês grandes sobrecarregam o corpo da mulher e dificultam o parto.

A hipertensão gestacional, ou pré-eclâmpsia, também pode trazer algumas questões para a gravidez. Ela dificulta o desenvolvimento do bebê e coloca a mãe em risco.

Nada disso, no entanto, é impeditivo para engravidar e manter uma gestação suave. Todos os problemas levantados aqui são possibilidades e são perfeitamente contornáveis. Não é o caso de desistir do sonho de ser mãe por ter 36 anos ou mais.

O mais importante, para quem estiver planejando ter filho nessa idade, é procurar um médico com alguns meses de antecedência e comunicar a intenção de engravidar para que, após alguns exames, o profissional avalie a condição clínica da futura mãe.

A verdade é que hoje, com tudo que a ciência tem para oferecer, um acompanhamento médico adequado, envolvendo um número maior de exames do que em gestações de mulheres mais jovens, a gestação nessa faixa etária é sucesso.

Agora vai apertar um pouquinho

Apesar de a medicina não concordar muito, a mulher de 40 anos se sente uma menina. Trabalha, se mexe, tem planos e sonhos e acha que agora é hora de ter um filho. Ou outro filho. Discorda do limite de idade para engravidar e resolve embarcar nessa nova gestação.

Há pontos a analisar, claro. A partir dos 40, a concepção fica mais difícil mesmo. A taxa de fertilidade cai, os óvulos são ainda mais velhos e aqueles tais riscos genéticos se pronunciam um pouco mais. É chato, mas a gente tem de contar. Existem mais chances de problemas com o bebê e de abortos espontâneos.

O ciclo menstrual pode ficar mais irregular conforme a mulher se aproxime da menopausa, prejudicando a fertilidade. Mas se a futura mãe tem boa saúde, essa situação é bastante minimizada.

Condições clínicas pré-existentes, as chatas das varizes e as dores nas articulações, por exemplo, podem piorar com a gravidez. Como o metabolismo é mais lento, diferente das garotas de 20 e poucos anos, o aumento de peso pode ser um pouco maior.

Se desfazer desses quilinhos talvez também demore mais. Mas se seus exames derem ok e o médico liberar, pode começar a treinar. Já falamos aqui que ter mais de 40 não é impedimento para ter um filho.

A ótima notícia é que, nessa fase mais madura da vida, muitas mulheres já têm estabilidade financeira, já não precisam mais se provar tanto profissionalmente e estão mais autoconfiantes, o que pode ajudar muito a engravidar e se manter tranquila durante a gestação.

Em geral, as mulheres se sentem bonitas, têm relacionamentos mais estáveis, são donas do próprio nariz. Um filho, a essa hora, só viria coroar esse período. Depois dos 40, as mulheres também sabem o que importa e o que não vale a pena esquentar a cabeça. Isso se chama maturidade e não há nada mais apropriado para encarar a aventura de ser mãe.

A gestante com mais de 40 também já sabe se cuidar. Faz os exames e encara as investigações e pequenas dificuldades com tranquilidade. O médico vira um parceiro e cada fase fica especial, porque ela sabe que é rara e valorosa.

Mãe mais velha, a gestação depois do 50

Antes de começar, é preciso explicar: é possível sim e pode ser natural e sem tratamentos. Acredite.

Conforme a idade avança, as dificuldades físicas avançam junto. Por isso, para alguns médicos, 50 anos seria um limite de idade para engravidar. É raro que a mulher chegue a essa idade com óvulos próprios e funcionais. Mas acontece. A atriz Solange Couto, por exemplo, engravidou depois dos 50, sem tratamento. Quando a menstruação falhou, ela achou que era a menopausa, mas era um bebezão a caminho.

No entanto, o mais comum é que depois dos 50 anos, os casos de gravidez tão tardia são resultado de reprodução assistida. A medicina e os tratamentos evoluíram muito, o que tornou esse sonho possível. Embora haja casos de gestação bem sucedida depois dessa idade, o Conselho Federal de Medicina chegou a estabelecer, em 2013, 50 anos como o limite para o tratamento de reprodução assistida. Seria assim um limite de idade para engravidar.

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Redação - Alô Bebê

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