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Pais superprotetores: as consequências para o desenvolvimento da criança

Pais superprotetores: as consequências para o desenvolvimento da criança
Alô Bebê
jul. 18 - 14 min de leitura
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Talvez você se lembre dessas cenas da sua infância, ou tenha ouvido histórias de pessoas mais velhas: ruas cheias de crianças que brincavam livres, iam à padaria ou ao mercado sozinhas, passavam o dia na casa de amigos, em fim, eram bastante independentes.

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Os pais davam conselhos, como não falar ou aceitar qualquer coisa de estranhos. Mas, como em um livro infantil ou uma história em quadrinhos, todas as crianças viviam pequenas aventuras, faziam amigos no bairro, aprontavam, se machucavam, cometiam erros e pediam desculpas para, no outro dia, fazerem tudo de novo.

Hoje em dia, isso não existe mais: a violência urbana é muito maior, as ruas estão cheias de carros e não sabemos mais em quem confiar. Isso vem tornando os pais mais preocupados e inseguros do que nunca, e dificultando o desenvolvimento das crianças.

Pais superprotetores têm as melhores intenções, mas será que suas atitudes não estão prejudicando ainda mais seus filhos? Continue sua leitura para encontrar essa resposta!

Como são os pais superprotetores e seus filhos?

Muitas vezes, é difícil identificar onde acaba a proteção e começa a superproteção. Afinal, nenhum pai quer que algo de ruim aconteça aos seus filhos, e é normal querer fazer o possível para que as crianças não passem por qualquer tipo de perigo.

Mas pais superprotetores não querem apenas proteger seus filhos de riscos e perigos: eles não conseguem suportar a ideia de que as crianças passem por qualquer tipo de dificuldades, seja ela de fato um perigo ou apenas uma frustração diária, como ter que arrumar o quarto, aprender a dividir os brinquedos ou não entender imediatamente uma tarefa na escola.

Por isso, esses pais tentam se antecipar às necessidades dos filhos, ajudando-os antes que as crianças possam pedir ajuda. Muitas vezes, eles acabam fazendo aquilo que os filhos precisam fazer, desde tarefas domésticas até tarefas escolares, para garantir que fique bem feito.

Esse tipo de pai também costuma ser um intermediário do filho em conversas com outras crianças, preferindo discutir com outros pais do que deixar as crianças descobrirem como resolver os próprios problemas.

Eles são conhecidos como “pais helicópteros”, porque sobrevoam os filhos o tempo inteiro para antecipar todos os perigos e dificuldades que eles possam ter. Desde cortar toda a comida do prato para uma criança que já consegue fazer isso sozinha até cobrar uma nota baixa de um professor em vez de cobrar do filho, os pais helicópteros estão sempre na espreita.

E como são os filhos desses pais? São crianças que não têm a oportunidade de explorar o mundo. Na maioria das vezes, elas não sabem o que fazer diante dos problemas mais comuns, como uma discussão com um colega de classe. Num geral, são crianças muito dependentes, que procuram os pais sempre que encontram qualquer dificuldade pela frente, antes mesmo de tentar resolvê-las.

Como saber se você é superprotetor?

É muito difícil que um pai ou uma mãe assumam que são superprotetores. No fundo, todos sabemos que exageros sempre fazem mal, e não queremos admitir que alguma ação nossa pode afetar negativamente na vida dos nossos filhos.

Porém, pais superprotetores que reconhecem esse comportamento podem agir para mudá-lo e criar seus filhos com mais liberdade e independência. Confira abaixo três sinais de que você pode estar superprotegendo seus filhos:

1) Sensação de medo constante

É claro que, hoje em dia, o mundo está mais perigoso do que costumava ser, e que você não deve ser negligente com as crianças. Mas pais superprotetores tendem a ter medo de perigos que nem mesmo estão lá. Por exemplo, esse tipo de pai não costuma deixar os filhos irem a excursões escolares, ou festas de aniversário dos amigos, mesmo que as duas tenham supervisão de adultos.

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O medo de que o filho seja roubado, sequestrado ou se perca é maior, nesse caso, do que todos os fatores racionais que envolvem os passeios – o ambiente em que ele vai estar é controlado, diversos adultos estarão por perto, etc. Sem essas experiências, a criança não aprende a obedecer outros adultos, interagir com seus colegas ou como se comportar em grandes grupos.

2) Medo excessivo de que ele se machuque

Muitos pais reclamam que, hoje em dia, as crianças passam mais tempo mexendo no celular do que subindo em árvores. Ao mesmo tempo, eles não querem deixar que seus filhos subam em árvores porque têm medo de que eles caiam e se machuquem.

A verdade é que, uma hora ou outra, seu filho vai se machucar: um arranhão, uma ferida, um hematoma, até um braço quebrado, são coisas que já aconteceram com todo mundo. Mas pais superprotetores tendem a não deixar que o filho faça nada que possa machuca-lo, e brincar entra nessa lista.

3) Infantilização do filho

Você até pode dizer que, para os pais, o filho sempre vai ser um bebê. Mas pais superprotetores levam isso muito a sério: não só a linguagem é infantilizada, mas todo o tratamento do filho.

Por exemplo, pais que levam os filhos adolescentes para a escola, mesmo que a escola seja perto e o caminho tenha diversos outros estudantes. Ou pais que servem o prato e cortam a carne para filhos adolescentes. São todas atividades que eles poderiam fazer sozinhos, mas os pais ainda enxergam neles crianças que não pode atravessar a rua ou chegar perto do fogão.

Se você se identificou com essas descrições, preste atenção: você pode estar superprotegendo seus filhos.

Como a superproteção afeta o desenvolvimento das crianças?

Podemos perceber que pais superprotetores acabam afetando as próprias vidas e rotinas para impedir que seus filhos tenham qualquer tipo de dificuldade. Mas o que, realmente, eles conseguem com essa atitude?

A verdade é que a superproteção pode impactar a vida das crianças de formas negativas. Por exemplo:

Problemas para socializar

No dia a dia, nos deparamos com diversas situações de conflito social, como andar em um ônibus lotado, conversar com a nova turma da escola ou ter que reportar o erro de um colega para o chefe no trabalho. Crianças que são superprotegidas não costumam ter contato com os conflitos sociais mais básicos – como não ter um lápis e precisar pedir emprestado. Por isso, elas não sabem como agir em momentos assim.

Quando os pais resolvem todos os problemas que os filhos têm com outras pessoas, as crianças só conseguem interagir em ambientes completamente positivos, que estejam ao favor delas. A partir do momento que ocorre uma desavença, mesmo que seja pequena, elas não sabem como agir.

Falta de iniciativa

Como dissemos antes, quando os pais sempre resolvem problemas para os filhos, eles não sabem nem como começar a resolver um problema sozinho. A mensagem geral passada pelos pais superprotetores é que as crianças são incapazes de resolver qualquer coisa.

É comum que crianças superprotegidas peçam ajuda antes mesmo de tentar lidar com as dificuldades, gerando situações constrangedoras e até mesmo prejudicando a vida escolar. Também não é raro que essas crianças se sintam incompetentes e, com o tempo, esse sentimento gere problemas como a depressão.

Problemas para lidar com frustrações

Crianças superprotegidas nunca lidam com frustrações. Antes que elas possam experimentar a frustração de não ser convidada para uma festinha, por exemplo, os pais já a encheram de presentes e mimos para compensá-la. O problema é que todo mundo passa por frustrações em algum momento, e como reagimos a elas é um dos fatores que mais influencia em nossas vidas.

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Por isso, crianças que foram superprotegidas tendem a virar adultos ansiosos e estressados, que transformam problemas pequenos em grandes porque não sabem o que fazer quando suas expectativas não são alcançadas.

Falta de limites

Quando uma criança é superprotegida, ela acaba não conhecendo as consequências dos seus atos. Por exemplo, uma criança que não faz o dever de casa deve lidar com a nota baixa e a repreensão do professor. Afinal, ela sabia que deveria fazer a lição. Mas pais superprotetores, em casos como esse, dariam uma desculpa para o professor ou fariam o dever para que a criança não precisasse lidar com essa dificuldade.

Crianças criadas assim começam a crescer sem o limite do que é certo ou o que é errado. Para elas, é possível fazer apenas o que se quer, sem qualquer senso de responsabilidade ou dever, porque não há consequências para os seus atos. Isso cria adultos desagradáveis, problemáticos e, na maioria das vezes, frustrados e infelizes.

Insegurança

Quando uma criança cresce sem precisar fazer nada por si mesma, ela passa a acreditar que não é capaz de fazer qualquer coisa. Imagine que uma criança que sempre pede tudo para os pais vá, pela primeira vez, passar a noite na casa de um amigo, e os pais desse amigo exijam mais autonomia para tarefas simples, como ajudar a colocar a mesa ou secar a louça.

A criança vai se sentir diminuída por não saber realizar tarefas tão comuns e ainda vai ter medo de tentar, com receio de fazer algo errado que deixe os pais do amigo zangados – afinal, ela também não sabe lidar com pessoas zangadas.

Problemas de afetividade

Crianças superprotegidas têm problemas para se relacionar afetuosamente porque sua única medida de amor é a superproteção. Portanto, se alguém não fizer por ela tudo o que os pais fazem, ela não consegue enxergar a relação como de amor. Ao mesmo tempo, elas não sabem fazer sua parte em um relacionamento, já que estão acostumadas a só receber, sem nunca oferecer nada em troca.

Como podemos ver, pais superprotetores acreditam estar deixando a vida dos filhos mais simples e segura, mas podem estar deixando-a mais frustrante e triste. Sendo assim, é possível reverter esse comportamento?

É possível corrigir a superproteção dos pais?

Quando os pais descobrem que são superprotetores, a primeira reação costuma ser ficar na defensiva. O que você está fazendo, afinal, é pensando no bem do seu filho. Porém, sabendo de todos os problemas que isso pode trazer, é preciso também criar maneiras de reverter a situação e deixar seu filho mais livre e independente para viver a vida ao máximo.

Veja abaixo o que você pode fazer para corrigir essa superproteção:

Escute seu filho

Um dos maiores erros que os pais superprotetores cometem é presumir os sentimentos dos filhos. Você acredita que seu filho vai ter dificuldades, vai ter medo, não vai saber o que fazer. Porém, talvez a situação que parece tão assustadora e impossível para você seja algo pelo que ele quer passar, e mesmo algo que o deixa animado e feliz de conhecer coisas novas. Por isso, abra mais espaço para conversas e escute o que ele tem a dizer.

Permita que seu filho erre

Todo mundo erra em algum momento e, com seu filho, não vai ser diferente. Um dia, ele vai ser pego mentindo, tirando uma nota baixa, deixando de fazer o que devia. Permita que ele passe por esses momentos e que passe, também, pelas consequências que vêm com eles.

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Você não é seu filho e os erros dele não são seus. Todo mundo deve lidar com os próprios defeitos e seguir em frente. Seu papel como pai ou mãe é guiar seu filho na jornada, e não caminhar no lugar dele.

Confronte seus próprios medos

Se você vive com medo de que algo aconteça com seu filho, não transmita os medos para ele. Em vez disso, procure ajuda para enfrentar esses medos. Pais que vão a um terapeuta, cuidam da própria saúde mental e lidam com as próprias angústias e frustrações estão mais preparados para ajudar os filhos a se tornarem adultos independentes e responsáveis.

Seja um “pai submarino”

Essa metáfora surgiu pela primeira vez no livro “Fun-filled Parenting: A Guide to Laughing More and Yelling Less”, da autora Silvana Clark. Os pais submarino, ao contrário dos pais helicóptero, seriam aqueles que estão sempre por perto, mas não tão visíveis. Eles nadam embaixo da água e só sobem à superfície quando é realmente necessário.

Por exemplo, quando o filho é convidado para uma festa na casa de um colega, o pai helicóptero exige ir junto, ou inventa motivos para o filho não ir. O pai submarino, no entanto, pode ligar para os pais do anfitrião e estabelecer um horário para buscar o filho, mas o deixa ir e aproveitar a festa mesmo assim.

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Seu filho precisa de liberdade e autonomia para aproveitar a vida e aprender com os próprios erros. Uma relação de confiança e amor é muito melhor do que uma relação de exageros e superproteção, tanto para ele quanto para você.

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