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Obesidade infantil: como cuidar e tratar

Obesidade infantil: como cuidar e tratar

É um fato que a obesidade infantil tem revelado dados alarmantes com relação à saúde de crianças no Brasil e no mundo. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), que em 2017 desenvolveu um estudo com o Imperial College de Londres, o percentual de crianças e adolescentes obesos cresceu quase 8 vezes nas últimas 4 décadas. Para chegar a esse resultado, os pesquisadores coletaram dados de mais de 31 milhões de crianças com idades entre 5 e 19 anos em 200 nações.

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Enquanto o crescimento populacional diminuiu em alguns países, a taxa de crianças obesas não apresentou nenhuma redução desde 1975. Em relação à América Latina, o resultado é ainda mais alarmante, já que revela um número dez vezes maior de crianças com sobrepeso. No Brasil, segundo dados do Ministério da Saúde, 13% dos meninos e 10% das meninas (de 5 a 19 anos) apresentam algum grau de obesidade.

Até 2022, estima-se que existirão mais crianças obesas no mundo do que crianças abaixo do peso. E para a obesidade infantil não existem vacinas ou remédios. O segredo principal para combatê-la é a disciplina, o acompanhamento médico e o apoio dos pais e familiares no processo. Por isso, apresentaremos as principais informações sobre o assunto e daremos dicas de como falar sobre o tema com as crianças.

O que é a obesidade infantil?

A obesidade infantil acontece quando a criança apresenta peso superior ao recomendado pelos órgãos de saúde considerando sua altura. No entanto, o Índice de Massa Corporal (IMC) de uma criança é calculado de um jeito diferente. Normalmente, para os adultos, quando o IMC está entre 18,5 e 25, o peso é considerado normal; de 25 a 30, é considerado sobrepeso; e a partir de 30 a pessoa já pode ser considerada obesa.

No caso das crianças, essas taxas não se aplicam e podem dar a falsa sensação de que o resultado ainda está dentro da normalidade. De acordo com a OMS, para crianças, os números variam conforme a idade e o gênero. Clique aqui e confira a tabela da entidade. 

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Vale lembrar que para calcular o IMC é preciso multiplicar a altura por ela mesma e dividir pelo peso.

Se antigamente existia a ideia de que uma criança saudável precisava estar mais “fofinha”, hoje é preciso que os adultos responsáveis estejam atentos para identificar quando a fofura pode representar risco para a saúde. Por isso, é importante manter o diálogo aberto, de maneira leve, mas firme, seguindo as consultas de rotina. O pediatra é responsável pelo acompanhamento clínico da criança e poderá orientar com relação à necessidade do envolvimento de outros profissionais, como nutricionistas, psicólogos, educadores físicos e endocrinologistas. 

Sinais de alerta

Além de manter as consultas de rotina e até mesmo fazer o cálculo do IMC, existem outros sinais que os pais podem considerar como alertas para identificar a obesidade infantil. O sintoma mais evidente acaba sendo o acúmulo de gordura na região abdominal, mas observar algumas mudanças comportamentais também é importante.

A obsessão por comida pode aparecer quando a criança continua comendo mesmo estando saciada ou busca comida mesmo que esteja sem fome. Além disso, falta de ar e outros desconfortos relacionados à respiração também podem ficar evidentes quando a criança está com sobrepeso.

O que a obesidade infantil pode ocasionar?

Além de problemas como colesterol alto, hipertensão, diabetes, asmas, baixa autoestima e até problemas comportamentais, a obesidade infantil pode causar doenças cardíacas, distúrbios do sono, problemas ósseos e puberdade precoce, pois os hormônios acabam ficando desregulados em caso de sobrepeso. 

Principais causas da obesidade infantil

Muitos estudos que buscam entender o sobrepeso de crianças apontam diversos fatores que contribuem para os casos. Confira algumas causas mais comuns:

  • A obesidade tem forte influência genética, então, se existe histórico familiar de obesidade, a família deve ter uma atenção redobrada com os hábitos e a saúde das crianças;

  • Especialistas garantem: crianças tendem a repetir comportamentos que enxergam nos adultos; assim, se ela é exposta a maus hábitos alimentares, por exemplo, poderá adotá-los para sua própria vida;

  • O sedentarismo, sem dúvida, é um fator agravante nos casos de obesidade infantil, já que atividades físicas ajudam na queima das calorias ingeridas;

  • Uma dieta à base de alimentos industrializados, fast-foods, congelados e com excesso de açúcar e gordura também refletem no sobrepeso das crianças;

  • É importante estar atento aos fatores psicológicos que podem fazer com que as crianças comam mais do que o normal.

Excesso de telas e obesidade infantil

Muitos especialistas também têm falado sobre como o número de eletrônicos e outras ferramentas tecnológicas podem ajudar a gravar o quadro mundial quando o assunto é obesidade infantil. A OMS realizou um estudo que identificou que cerca de 80% das crianças e dos adolescentes ao redor do mundo não são suficientemente ativos fisicamente.

A entidade faz uma ligação direta disso com o número excessivo de dispositivos eletrônicos atualmente disponíveis (celulares, tablets, computadores e televisores, além de games e outros serviços contratados on-demand) que acabam colaborando para o sedentarismo. 

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Com um olhar bem atento a essas questões, em abril deste ano a OMS divulgou uma cartilha com orientações sobre o uso de eletrônicos por crianças. De acordo com o documento, crianças de até 5 anos não devem passar mais do que 1 hora por dia em atividades em frente a uma tela de smartphone, computador ou TV. Já crianças menores de 12 meses não devem passar nem 1 minuto na frente desses aparelhos.

O lançamento da cartilha de orientações faz parte da agenda da Organização da Nações Unidas (ONU) que discute o sedentarismo e a obesidade infantil, que acomete mais de 40 milhões de meninos e meninas ao redor do globo. Para a ONU, as interações com os dispositivos eletrônicos podem ser substituídas por atividades ao ar livre ou de convivência com outras crianças "no mundo real", como contações de histórias e leitura. 

"Crianças com menos de 5 que parecem estar correndo e ocupadas o dia inteiro, e certamente cansando seus pais, podem não ser tão ativas quanto pensamos", afirmou a gerente de programa do Departamento de Prevenção de Doenças Não Transmissíveis da OMS, Fiona Bull, na época do lançamento da cartilha.

Como diminuir o uso da tecnologia?

Sabemos que acabar com uso das tecnologias é difícil e nem é o que se pede ou o que se quer, já que o avanço da tecnologia traz inúmeros benefícios e há milhares de pontos positivos em sua utilização, inclusive em metodologias educacionais e para o desenvolvimento cognitivo das crianças. Nessa hora, é importante que os adultos responsáveis possam estabelecer regras e combinados com as crianças e seguir essas orientações.

Segundo a cartilha lançada pela OMS, algumas medidas podem ser adotadas conforme a faixa etária.

Bebês (com menos de 1 ano)

O ideal é que eles estejam ativos fisicamente várias vezes ao dia de maneiras diferentes, em especial em brincadeiras interativas no chão. Se o bebê ainda não souber andar, as atividades podem incluir ao menos 30 minutos de bruços, que podem ser divididos ao longo do dia.

Não é recomendado que o bebê fique mais de 1 hora por dia no carrinho ou em cadeiras que restrinjam o movimento. Também não é recomendado o uso de aparelhos eletrônicos, mas sim de estímulos como contação de histórias.

Crianças de 1 a 2 anos de idade

Nessa fase, já é possível incluir ao menos 180 minutos de atividades físicas, que podem ser leves a elevadas, além de divididas ao longo do dia. Assim como os bebês, não é recomendado que fiquem por mais de 1 hora seguida em uma mesma posição.

Para crianças de 1 ano de idade, não é recomendada nenhuma atividade em frente ao computador ou à televisão. Para crianças com 2 anos de idade, o tempo em frente a esses dispositivos não deve passar de 1 hora. Aqui, a única regra é: quanto menos tempo, melhor.

Crianças de 3 a 4 anos de idade

Deve-se investir 180 minutos de atividades físicas em qualquer intensidade. A dica é que pelo menos 60 minutos sejam divididos ao longo do dia para a prática de atividades de intensidade moderada a elevada. É claro que quando falamos em atividade física de nível elevado não estamos falando de voltas no parque, mas as cargas adequadas para a faixa etária da criança.

Quais atividades físicas podem ajudar a combater a obesidade infantil?

Se a disciplina para manter atividades físicas já é difícil para os adultos, imagina incentivar esse hábito na rotina das crianças? Mas tudo é uma questão de adaptação, incentivo e definição de combinados entre os pais e as crianças.

Além disso, é importante ter sempre o acompanhamento de um profissional. O pediatra pode identificar o sobrepeso na criança e fazer o encaminhamento para outros profissionais, caso seja necessário. Se a orientação for procurar atividades físicas compatíveis com a idade da criança, siga estas dicas:

Parquinho

Atividades são super-recomendadas por especialistas antes mesmo da idade escolar, e o parquinho pode ser ideal para crianças com idades entre 2 anos e 7 anos. Aposte em brincadeiras no escorregador, gira-gira, balanço e gangorra. Além de incentivar a prática de atividades ao ar livre, os momentos são essenciais para aumentar a conexão entre pais e filhos.

Pular corda

A partir dos 7 anos de idade, as atividades que ajudam a desenvolver a coordenação motora são as mais indicadas pelos profissionais. Pular corda também ajuda a queimar muitas calorias e pode ter vários níveis de intensidade. O mais legal é que os pais podem entrar na brincadeira e fazer exercício em companhia dos filhos.

Balé

O balé pode ser praticado tanto por meninas quanto por meninos e existem modalidades para várias faixas etárias. A atividade, além de melhorar a postura corporal, ajuda a fortalecer os músculos e a flexibilidade e é um excelente exercício para ensinar a importância da disciplina.

Atletismo

Atualmente, o atletismo está na grade curricular de várias escolas e envolve corridas e outras modalidades, como saltos e arremessos, que ajudam a desenvolver força e flexibilidade, eliminar calorias e aumentar a resistência. No País, a categoria mais baixa do atletismo começa aos 12 anos de idade, e o grau de intensidade das provas acompanha a faixa etária das crianças. 

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Ginástica olímpica

A partir dos 4 anos de idade, as crianças já podem se aventurar nessa modalidade que fortalece os músculos e aumenta a flexibilidade e a resistência.

Futebol

O futebol não poderia ficar de fora desta lista, já que é a paixão de milhares de meninas e meninos por todos os cantos. Ajuda a desenvolver a coordenação motora, o espírito de equipe e a gastar energia no processo de emagrecimento caso a criança esteja com sobrepeso.

Artes marciais

Existem diferentes modalidades que podem ser iniciadas a partir dos 4 anos de idade. A dica é mostrar as opções, fazer algumas aulas experimentais e decidir em conjunto com a criança qual modalidade será seguida. É uma atividade física que ajuda muito com a questão da disciplina, que é fundamental no processo de perda de peso.

Natação

A partir dos 6 meses de idade, o bebê já está liberado a participar de aulas de natação. Além de desenvolver habilidades psicomotoras, é uma atividade que, aliada a uma boa alimentação, ajuda muito no processo de emagrecimento.

Bicicleta

Essa é uma atividade que pode envolver a família inteira e ser uma verdadeira diversão. Andar de bicicleta aumenta força e resistência, além de reforçar a capacidade cardiovascular, que ajuda no emagrecimento.

Tratando a obesidade infantil

O papo agora é com você que fez todo o acompanhamento médico e recebeu o diagnóstico de que seu filho está acima do peso. Como lidar com a situação? O primeiro passo é entender que não há nada que possa ser feito e milagrosamente resolverá a questão. O ponto-chave é a mudança no estilo de vida e isso, em muitos casos, envolve toda a família, que precisa adotar hábitos mais saudáveis para estimular e apoiar a criança durante todo o processo. 

Em casos mais severos de obesidade, o médico poderá prescrever algum tipo de medicação, mas vale ressaltar que isso só deverá ser aplicado caso exista orientação clínica de um profissional. Remédios para emagrecer costumam acarretar uma série de problemas para a saúde dos adultos e que podem ser ainda mais graves quando envolvem crianças.

Tratamentos mais invasivos, como cirurgias, ainda geram controvérsias entre especialistas, e o ideal é sempre, em conjunto com profissionais da saúde, criar um plano de ação individual que ajude no processo de mudança de hábitos.

Aposte na alimentação

Parece fácil falar, mas cerca de 70% da perda de gordura está envolvida com a questão alimentar. Tenha frutas, legumes e vegetais em casa e descubra receitas que possam torná-los interessantes para que a hora da refeição seja um momento de descoberta de novos sabores. Crie regras para diminuir o consumo de bebidas adoçadas, até mesmo sucos industrializados. Também é preciso reduzir o número de vezes que a família come fora, com o objetivo de manter a criança focada em uma rotina de novos hábitos alimentares.

É necessário cortar de uma vez doces, fast-foods e outras gostosuras que as crianças normalmente amam? Não! Mas negocie metas e estabeleça dias específicos para ser mais flexível com relação à alimentação.

Faça exercícios brincando

Talvez estabelecer uma rotina de atividades físicas de uma hora para outra gere certo mau humor e transforme a necessidade de se movimentar em obrigação e até mesmo castigo. O importante é o envolvimento de todos que convivem com a criança. Um passeio de bicicleta com toda a família, caminhadas pelo bairro, futebol no parque... já falamos sobre como crianças acabam "imitando" comportamentos que percebem em adultos que têm como modelo. Realizar atividades físicas e ao ar livre faz bem tanto para a criança como para as relações entre todos os membros da família.

E se tiver birra…

... seja firme. Normalmente, quem faz birra para comer também faz birra por outros motivos. É importante que os pais, nesses casos, mostrem que a palavra final será sempre dos adultos.

Cuidado com a barganha

Ceder em alguns pontos pode até funcionar, mas na maior parte das situações não resolve o problema central. Assim, se você prometer uma grande sobremesa se a criança comer os vegetais, não passará a mensagem principal: o cuidado com a alimentação. O que pode funcionar é incluir a criança no processo de planejamento da dieta e da reeducação alimentar e combinar que os momentos de exceção acontecerão em dias específicos e que isso não será discutido novamente.

Superando o bullying

Crianças e adolescentes podem ser alvos fáceis para brincadeiras relacionadas à aparência. O nível de estresse e descontentamento com a situação pode ser tão grande que, na maior parte das vezes, o bullying acaba afastando a criança ou o adolescente das iniciativas que buscam combater a obesidade infantil.

A atividade física para quem está acima do peso pode incomodar até pelo fato de a criança sentir desconforto com a roupa de ginástica ou a da atividade física escolhida. Em casos assim, o essencial é a escuta e a acolhida. Não é preciso pressionar o pequeno para falar sobre o que aconteceu ou o incomodou, mas esteja disponível para escutar e buscar soluções conjuntas.

A escola e os professores podem ser aliados importantes, e o diálogo é sempre importante para contornar situações desagradáveis. Caso a negativa às mudanças seja muito forte, talvez seja o caso de procurar acompanhamento psicológico para garantir o apoio necessário para a criança.

Mensagens positivas

É importante que durante todo o processo fique claro que o mais importante é a saúde da criança ou do adolescente. Em um momento em que tanto se fala sobre a importância do empoderamento e da aceitação de si mesmo, é fundamental que na tentativa de estimular o filho a ter hábitos mais saudáveis a mensagem transmitida não seja a de que "apenas se a pessoa for magra ela será feliz"; mesmo porque magreza não é sinônimo de saúde.

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Não se esqueça de reiterar as qualidades que estão acima dos aspectos físicos da criança e como essas características a tornam um ser único e especial. Combater a obesidade infantil é importante, mas se estivermos sempre em busca da saúde mental e equilibrados podemos para passar por qualquer processo que exija mudanças de comportamento e hábitos. 

Como prevenir a obesidade infantil?

Temos algumas dicas finais para prevenir a obesidade infantil. Confira e compartilhe esse conteúdo nas redes sociais:

  • Não deixe de agendar consultas periódicas para acompanhar o desenvolvimento de seus filhos; 

  • Seja um bom exemplo, não se esqueça de comer alimentos saudáveis e praticar exercícios regularmente;

  • Reforce o lado positivo de manter uma alimentação saudável e praticar exercícios físicos;

  • Não ceda em disputas envolvendo alimentos, por exemplo, oferecendo um doce caso a criança tenha o comportamento x ou y;

  • Tenha paciência. Algumas crianças que apresentam índices de obesidade infantil podem chegar à fase altura com peso saudável, principalmente na puberdade. Lembre-se de que, ao insistir muito no discurso da necessidade urgente de uma alimentação saudável e de emagrecer, pode gerar um sentimento de culpa e fazer com que a criança ou o adolescente desenvolva distúrbios alimentares mais sérios.

  • Sempre busque ajuda de profissionais.

 

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Redação - Alô Bebê

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