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Produção independente: guia completo sobre ter um filho sozinha

Produção independente: guia completo sobre ter um filho sozinha
Alô Bebê
jul. 22 - 9 min de leitura
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Hoje em dia, é bastante comum que mulheres ou homens cheguem a um ponto de suas vidas desejando ter filhos, mas sem ter o interesse em manter um relacionamento com alguém para fazer isso. Quando adoção não parece a saída para essas pessoas, surge a ideia de uma “produção independente”. Só que muitos não sabem direito como fazer isso de uma maneira correta ou não conhecem os meios disponíveis para isso. Confira abaixo informações e dicas sobre esses métodos.

Os motivos devem ser levados em consideração

Algo que deve ser pensado com calma antes de pensar em ter um filho sozinha é analisar o motivo pelo qual esse pensamento surgiu em sua mente. Ter uma criança para preencher algo somente seu e não porque você se sente pronta para trazer uma nova pessoa ao mundo é bastante complicado. Esse é um dos motivos pelos quais alguns procedimentos de fertilização trazem também acompanhamento psicológico, já que é uma mudança considerável na vida de uma pessoa e não pode ser tratado de maneira impulsiva.

Levando em consideração que isso é uma mudança para toda a sua vida e que você precisa estar preparada ou preparado para a tarefa de criar uma criança sozinha, é hora de saber exatamente como isso pode ser feito sem a participação de um parceiro.

Métodos de concepção sem parceiros

Existem dois métodos de concepção por laboratório que são os mais éticos e usados por pessoas que desejam ter um filho. É válido lembrar que não existe impedimento para que um homem solteiro também possa realizar o procedimento, apenas que ele terá que passar por uma etapa a mais, que explicaremos a seguir.

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Os dois métodos usados em laboratório são inseminação artificial e fertilização in vitro. Esses procedimentos muitas vezes são confundidos, mas trazem algumas diferenças sensíveis, com diferentes taxas de sucesso.

A inseminação artificial é a mais utilizada e funciona com a escolha do material genético, através de bancos de doação de esperma. O procedimento consiste na introdução desse material no útero materno, realizando assim a sua possível fertilização. Esse procedimento tem uma taxa de 25% de chance de sucesso, o mesmo ou aproximado ao de relações entre duas pessoas. O procedimento custa, em média, R$ 10 mil, podendo ficar mais caro de acordo com particularidades de cada pessoa.

Como pré-requisito para essa técnica, a mulher necessita fazer exames que confirmem a permeabilidade tubária. Isso porque a fecundação, a união do óvulo com o espermatozoide para a formação do embrião, acontecerá dentro do organismo da mulher, na sua trompa uterina. Se as trompas forem obstruídas, o procedimento de fertilização in vitro deverá ser o tratamento de escolha.

A inseminação artificial pode ser dividida nos seguintes passos:

1) Estimulação ovariana controlada

A mulher aplica hormônios ainda em casa, estimulando o crescimento de folículos (estruturas dos ovários que contêm os óvulos). Esse desenvolvimento tem uma duração de aproximadamente 10 dias e, nesse período, a mulher precisará realizar de duas a três ultrassonografias.

2) Ovulação

Perto do 10º dia, caso os folículos atingirem o tamanho de aproximadamente 18 a 20 mm, é realizada a ovulação a partir do uso da gonadotrofina coriônica humana (hCG). A ovulação deve acontecer entre 34-37 horas após o uso desse medicamento.

3) Preparo do material

O sêmen selecionado é descongelado e os espermatozoides móveis são selecionados e colocados em um cateter, acoplado em uma seringa.

4) Inseminação

Pelo 12º dia, os espermatozoides são colocados dentro do útero através da vagina. Para isso, a mulher fica em posição ginecológica, e o cateter pode ser introduzido delicadamente pelo colo do útero. Nesse momento, a progesterona será iniciada pela vagina.

5) Teste de gravidez

Após 14 dias da inseminação, a gravidez pode ser confirmada. Caso o teste seja positivo, a progesterona será mantida até a 8ª semana de gravidez.

Já a fertilização in vitro, conhecida também como FIV, funciona de um jeito um pouco diferente. Nesse procedimento, o processo é feito quase todo pela parte do laboratório, que une óvulos e espermatozoides, criando um embrião que então é colocado no útero da mulher. Por causa dessa etapa realizada previamente, a chance de sucesso é maior, chegando em até 40%. Isso também significa que esse tipo de procedimento também é mais caro, com clínicas cobrando, em média, R$ 20 mil por cada tentativa.

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Nessa técnica, não é necessário o uso da trompa para engravidar, se tornando o tratamento de escolha para mulheres com obstrução tubária bilateral.

No caso de homens que queiram ter um filho sem uma parceira, apenas o procedimento de fertilização in vitro está disponível, sendo que existe ainda uma etapa que eles precisam realizar. Assim como acontece com casais homoafetivos masculinos, é necessário um útero de substituição, também chamado de “barriga solidária”. Nesse caso, entra uma mulher da família, em idade fértil, que deverá levar a gestação até o nascimento da criança.

O Conselho Federal de Medicina tem em suas regras que é permitido que filhas, sobrinhas, mães, avós, tias, irmãs e primas podem cumprir esse papel. Depois de escolhida a “barriga solidária”, realizando um processo que não só visa analisar as compatibilidades genéticas para o desenvolvimento do embrião, mas também o estado psicológico da pessoa, algo bastante importante para o procedimento.

Assim que tudo estiver resolvido, o processo de fertilização in vitro é realizado normalmente. Os óvulos utilizados nesse procedimento podem ser conseguidos em um banco de óvulos de doadoras anônimas, algo que pode tornar todo o processo mais demorado, devido à sua liberação.

O procedimento pode ser realizado através de uma injeção do espermatozoide diretamente no óvulo. Essa técnica é conhecida como ICSI, ou Injeção Intracitoplasmática de Espermatozoide. Algumas clínicas têm utilizado a Super ICSI, um método que permite aumentar a visualização do tamanho do espermatozoide, ajudando na escolha de um com a melhor morfologia.

Qual é o procedimento legal para iniciar o processo?

Não existem impedimentos legais à prática de pessoas solteiras realizarem a sua fertilização. Sob a ótica de planejamento familiar e suas limitações legais, não existe qualquer tipo de embaraço à concretização de projetos de paternidade ou maternidade, nos moldes de uma família monoparental.

O ideal de família prevista pelo ordenamento brasileiro reserva a afetividade e o cuidado nas relações familiares acima de qualquer padrão familiar predeterminado, bastando que a criança seja bem cuidada e criada em um ambiente em que possa prosperar como ser humano.

Como se preparar para o antes, o durante e o depois da gravidez?

Conforme comentamos anteriormente, é de extrema importância você ter os motivos certos para decidir ter um filho, seja com um parceiro ou, nesse caso, sozinha. A apresentadora de TV Mariana Kupfer chegou ao ponto em que pensou que seria a hora certa para ser mãe aos 36 anos de idade. Depois de pesquisar como funcionava a questão de produção independente, procurou uma clínica especializada em reprodução assistida para tirar dúvidas pontuais.

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“Saí da clínica certa de que era o que eu queria. Confiei totalmente no meu médico, que me mostrou o caminho das pedras”, disse a apresentadora. Ela importou o sêmen utilizado na sua fertilização, devido ao fato de os bancos dos Estados Unidos contarem com um leque maior de características do doador que a pessoa pode escolher.

No Brasil, isso se limita a 7 características do pai, entre físicas e emocionais. Já em bancos internacionais, você pode ter até 35 características diferentes mapeadas pelos seus genes. A apresentadora também se preparou para os possíveis problemas com a fertilização, comprando todos os lotes de um mesmo doador, caso precisasse fazer mais de uma inseminação. Como comentamos anteriormente, cada procedimento é bastante custoso, então, isso deve ser levado em consideração.

Depois de confirmada a gravidez, ela deve ser tratada como uma gestação normal, com visitas ao médico para acompanhamento, já que tirando a maneira como aconteceu a concepção, nada nela é diferente do comum. Após o nascimento, é necessário que a mãe ou pai tenham em mente que precisarão estar presentes durante o desenvolvimento da criança, sem a possibilidade de dividir a tarefa com um parceiro ou parceira.

É importante não tentar esconder da criança o fato de ela não ter um pai presente com histórias fantasiosas, buscando explicar de uma maneira que ela entenda, de acordo com a sua idade, o processo e porque você decidiu o caminho de uma produção independente.

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Levando isso em consideração, é aconselhável também conversar com especialistas de clínicas de reprodução para tirar dúvidas que possam surgir e possíveis sugestões para você.


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